Cuántos Quiénes
Cuántos seres han cruzado por mi cuerpo
Como flechas, como flechas.
Cuántos seres han entrado por mis ojos
Y se han ido por mi olvido.
Cuántos son los que quedaron
En la casa roja de mi corazón.
Soy de quiénes el constante pasajero,
Siempre en vuelo, siempre en vuelo, siempre en vuelo
Y de quiénes habitante bienvenido
Para siempre, para siempre.
Quiénes tienen mi lágrima en sus ojos,
Mi error en su ternura.
Cuántos cambian de zapatos y de senda, de destino.
Cuántos rompen la memoria de sus pasos, sus acasos.
Cuántos han elegido lazarillo, desatino.
Por quién soy yo traicionado cada día,
Una herida y otra herida.
A quién voy traicionando si desarmo
Mi conciencia de su cargo.
La exigencia que ponga en mis vacíos es un río,
Es corriente de amor que vence al odio.
Y son tantas las preguntas tan urgentes,
Ya no hay tiempo, ya no hay tiempo, ya no hay tiempo,
Como flechas, como flechas, como flechas,
Para siempre, para siempre, para siempre.
Es que acaso habré quedado
En la casa roja de algún corazón.
Quantos Quem
Quantos seres já passaram pelo meu corpo
Como flechas, como flechas.
Quantos seres já entraram pelos meus olhos
E se foram pelo meu esquecimento.
Quantos são os que ficaram
Na casa vermelha do meu coração.
Sou de quem é o passageiro constante,
Sempre em voo, sempre em voo, sempre em voo
E de quem é o morador bem-vindo
Para sempre, para sempre.
Quem tem minha lágrima nos olhos,
Meu erro na sua ternura.
Quantos trocam de sapatos e de caminho, de destino.
Quantos quebram a memória de seus passos, seus fracassos.
Quantos escolheram ser guia, desatino.
Por quem sou eu traído a cada dia,
Uma ferida e outra ferida.
A quem vou traindo se desarmo
Minha consciência de sua carga.
A exigência que coloco nos meus vazios é um rio,
É corrente de amor que vence o ódio.
E são tantas as perguntas tão urgentes,
Já não há tempo, já não há tempo, já não há tempo,
Como flechas, como flechas, como flechas,
Para sempre, para sempre, para sempre.
É que acaso eu terei ficado
Na casa vermelha de algum coração.
Composição: Daniel Viglietti