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Letra

Daltônico

Daltónica

(A Roque Dalton)(A Roque Dalton)

Pulgarcito de poetaPulgarcito de poeta
que se escapa e me faz cócegas,que se escapa y me cosquilla,
tão alegre, tão sem cadeira,tan alegre, tan sin silla,
tão de amores torrenciais,tan de amores torrenciales,
tão sem fim.tan sin fin.

Alegria de uma terraAlegría de una tierra
que se livra das fronteiras,que se quita las fronteras,
se despindo das coxas,se desnuda las caderas,
as centrais vulcânicaslas volcánicas centrales
de uma luz.de una luz.

Eu vi,Yo lo vi,
eu vi, eu vi, eu vi.yo lo vi, yo lo vi, yo lo vi.
No ano trinta e doisEl año treinta y dos
ele não estava vivo e eu viél no vivía y yo lo vi
contando suas históriascontando sus historias
do futuro, ia entre mil.de futuro, iba entre mil.
Eu vi, eu vi, eu vi.Yo lo vi, yo lo vi, yo lo vi.

Pobrezinhos os poetas,Pobrecitos los poetas,
bênçãos são daltones,bendiciones son daltones,
donde há ossos vêm marronsdonde hay huesos ven marrones
territórios prometidosterritorios prometidos
como um sol.como un sol.

Tão bracinho sua poesia,Tan bracito su poesía,
se levanta nos sensuaisse levanta en los sensuales
labirintos marsupiaislaberintos marsupiales
e distribui pólen vermelho,y reparte polen rojo,
se abre em flor.se abre en flor.

Eu vi,Yo lo vi,
eu vi, eu vi, eu vi.yo lo vi, yo lo vi, yo lo vi.
Era o ano dois mil,Era el año dos mil,
já ele não estava vivo e eu vi.ya él no vivía y yo lo vi.
A morte errada o levouLa muerte equivocada lo llevó
e ele anda aqui;y él anda aquí;
eu vi, eu vi, eu vi.y yo lo vi, yo lo vi, yo lo vi.

Pulgarcito de poetaPulgarcito de poeta
que se escapa e me faz cócegas,que se escapa y me cosquilla,
tão alegre, tão sem cadeira,tan alegre, tan sin silla,
tão de amores torrenciais,tan de amores torrenciales,
tão sem fim.tan sin fin.

Cresce armado de esperança,Crece armado de esperanza,
desenterra o que foi perdido,desentierra lo perdido,
faz um filho de somle hace un hijo de sonido
do silêncio desse povoal silencio de ese pueblo
que é mestre de seus sonhos.que es maestro de sus sueños.

Que se escapa e nos faz cócegas,Que se escapa y nos cosquilla,
tão sem medo, tão sem cadeira,tan sin miedo, tan sin silla,
tão amado, tão armado,tan amado, tan armado,
tão de todos, Salvador.tan de todos, Salvador.


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