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A Hora

Daniel Viglietti

La Hora

Tómame ahora que aún es temprano
Y que llevo dalias nuevas en la mano.
Tómame ahora que aún es sombría
Esta taciturna cabellera mía.

Ahora que tengo la carne olorosa
Y los ojos limpios y la piel de rosa.
Ahora que calza mi planta ligera
La sandalia viva de la primavera.

Ahora que en mis labios repica la risa
Como una campana sacudida aprisa.
Después... ¡ah, yo sé
Que ya nada de eso más tarde tendré!

Que entonces inútil será tu deseo,
Como ofrenda puesta sobre un mausoleo.
¡tómame ahora que aún es temprano
Y que tengo rica de nardos la mano!

Hoy, y no más tarde. antes que anochezca
Y se vuelva mustia la corola fresca.
Hoy, y no mañana. ¡oh amante! ¿no ves
Que la enredadera crecerá ciprés?

A Hora

Me pega agora que ainda é cedo
E que trago dálias novas na mão.
Me pega agora que ainda tá sombrio
Esse meu cabelo tão calado.

Agora que tenho a carne cheirosa
E os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta leve
A sandália viva da primavera.

Agora que nos meus lábios ressoa a risada
Como um sino balançando apressado.
Depois... ah, eu sei
Que nada disso eu terei mais tarde!

Pois então será inútil seu desejo,
Como uma oferta em cima de um mausoléu.
Me pega agora que ainda é cedo
E que tenho a mão cheia de nardos!

Hoje, e não mais tarde, antes que anoiteça
E a corola fresca fique murcha.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vê
Que a trepadeira vai crescer como cipreste?

Composição: