Tengo Un Amigo
Tengo un amigo allá adentro,
Más allá de la piel o la mentira,
Un amigo prisionero que postergo,
Un espejo que nublo con mi olvido,
Un otro que soy yo y no reconozco.
Tengo un amigo allá adentro,
Más allá de la cárcel de mi pecho,
El inquieto compañero postergado,
Mi querido socialista del adentro,
Mi libertario maniatado.
Le pongo cerrojos y candados
Mientras canto libertades y mañanas,
Ay, mi tierno espejo prisionero,
A veces yo lo empaño de mis odios,
Lo torturo de mi olvido, lo abandono.
Y voy con otros a la calle
Mientras dejo encerradas las verdades
Del amigo prisionero que conoce
Que en el fondo lo llamo y lo reclamo
Como único posible compañero,
Como llave de otros cuerpos,
Como puente hacia tu mano.
Tengo un amigo tan frágil allá adentro
Que si sigo cantando se me muere.
Esta vez si me callo es por la vida.
Tenho Um Amigo
Tenho um amigo lá dentro,
Mais além da pele ou da mentira,
Um amigo prisioneiro que adiei,
Um espelho que nublou com meu esquecimento,
Outro que sou eu e não reconheço.
Tenho um amigo lá dentro,
Mais além da prisão do meu peito,
O inquieto companheiro adiado,
Meu querido socialista do interior,
Meu libertário amarrado.
Coloco trancas e cadeados
Enquanto canto liberdades e amanheceres,
Ai, meu terno espelho prisioneiro,
Às vezes eu o embaço com meus ódios,
O torturo com meu esquecimento, o abandono.
E vou com outros para a rua
Enquanto deixo trancadas as verdades
Do amigo prisioneiro que sabe
Que no fundo o chamo e o reclamo
Como único possível companheiro,
Como chave de outros corpos,
Como ponte para sua mão.
Tenho um amigo tão frágil lá dentro
Que se eu continuar cantando, ele morre.
Dessa vez, se eu me calo, é pela vida.
Composição: Daniel Viglietti