Coisas de Campo
Danner Marinho
Nessa vida certas coisas
Que só quem viveu compreende
Tem coisas que não tem preço
Não se compra e nem se vende
Já errei muito nessa vida
Mas errando é que se aprende
Aprendi coisas de Campo
Com gente que dele entende
Meu Maestro o Capataz
Minha caneta era as esporas
O campo a sala de aula
Pra estudar não tinha hora
Aprendi a ginetear
Sem fresquear e fazer demora
E aprendi as manhas dos potros
Galopeando campo à fora
Curar bicheira de umbigo
Ou de algum que se cortou
Parar rodeio no grito
Campear outro que ficou
Pealo de a pé e a cavalo
Sempre muito me agradou
Foi com essas Coisas de Campo
Que o tempo me falquejou
Lonquear e estaquear um couro
Pra com corda se lidar
Destreza, mão calejada
Pra algum arame espichar
São coisas como outras tantas
Que começaram a escaciar
Coisas de campo, eu vejo
Que assim vão se terminar
Meu Deus não me amadrinha
Mas só me faz um costado
Pra que essas Coisas de Campo
E as tradições deste estado
Não se acabem num estante
E fiquem só no passado
Restando só em algum livro
Ou num retrato emoldurado
Curar bicheira de umbigo
Ou de algum que se cortou
Parar rodeio no grito
Campear outro que ficou
Pealo de a pé e a cavalo
Sempre muito me agradou
Foi com essas coisas de campo
Que o tempo me falquejou



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