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Vida Sertaneja

Daúde

Letra

    Sou matuto sertanejo,
    Daquele matuto pobre
    Que não tem gado nem queijo
    Nem oro, prata, nem cobre
    Sou sertanejo rocêro,
    Eu trabalho o dia intero,
    Que seja inverno ou verão
    Minhas mão é calejada,
    Minha péia é bronzeada
    Da quintura do sertão

    Por força da natureza,
    Sou poeta nordestino,
    Porém só canto a pobreza
    Do meu mundo pequenino
    Eu não sei cantá as gulora,
    Também não canto as vitora
    Dos herói com seus brazão,
    Nem o má com suas água...
    Só sei cantá minhas mágua
    E as mágua de meus irmão

    Canto a vida desta gente
    Que trabaia inté morrê
    Sirrindo, alegre e contente,
    Sem dá fé do padece,
    Desta gente sem leitura,
    Que, mesmo na desventura,
    Se sente alegre e feliz,
    Sem nada sabê na terra,
    Sem sabê se existe guerra
    De país contra país

    Cabôco que não cúbica
    Riqueza nem posição
    E nem aceita a maliça
    Morá no seu coração
    Cabôco que, nesta vida,
    Além da sua comida,
    O que mais estima e qué,
    É a paz, a honra e o brio,
    O carinho de seus fio,
    E a bondade da muié

    E assim, na sua paleja,
    Com a famia que tem,
    Não inveja nem deseja
    O gozo de ninguém
    Mas, por infelicidade
    Contra seu gosto e vontade,
    Munta vez, o pobre vê
    A muié morrê de parto,
    Gemendo dentro de um quarto,
    Sem ninguém lhe socorrê

    Morre aquela criatura,
    Depois, a pobre coitada,
    No rumo da sepultura,
    Vai numa rede imbruida
    Um adjunto de gente
    Uns atrás, ôtros na frente
    Num apressado rojão,
    Quando um sorta, o ôtro pega:
    É assim que se carrega
    Morto pobre, no sertão
    Fica, o viúvo, coitado!
    De arma triste e dilurida,
    Para sempre separado
    Do mió de sua vida,
    Mas, porém, não percebeu
    Que a sua muié morreu,
    Só por fartá um dotô
    E, como nada conhece,
    Diz, rezando a sua prece:
    Foi Deus que ditirminou!

    Pensando assim desta forma,
    Resignado, padece;
    Paciente, se conforma
    Com as coisa que acontece
    Coitado! Ignora tudo,
    Pois ele não tem estudo,
    Também não tem assistença
    E por nada conhecê
    Em tudo o camponês vê
    O dedo da providença


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