Nezhnost
ona spit, ponimaesh', ona usnula
ee do utra nel'zya budit'
noch' ee v komochek svernula
glaza pomogla zakryt'
ona sama prosnetsya kogda solntse zahochet
kogda ptitsy nachnut v nebo zvat'
ty ee ne budi, ya proshu tebya ochen'
chtoby mne ne prishlos' tebya ubivat'
horosho chto ona poka ne znaet
skol'ko krovi vodoyu stalo
skol'ko dush kazhdyj den' na oblaka vzletaet
v telah svoih prozhiv malo
skol'ko slez esche prol'et nebo sinie
iz glaz lyudej cherpaya vlagu
chto sila derzhitsya na chuzhom bessilii
i slabogo v kloch'ya rvut kak bumagu
mne ee sberech' nado
hotya by zakryt' svoim telom hilym
chtoby lipkie ruki straha-gada
ne prikasalis' k plecham milym
pust' ona poka esche spit
pust' ej snitsya veter i more
i pozhalujsta, pust' ona menya prostit
a ya ukradu u nee gore
ya budu umirat', razryvaya serdtsa
esli ubivat', to idti do kontsa
za kazhduyu prichinennuyu ej bol'
za kazhdyj upavshij s ee golovy volos
ya v yazvy vashi budu vtirat' sol'
nozhom izognutym vsporov bryushnuyu polost'
pust' ona poka esche spit
ty ee ne budi, ne stoit
mir ee mozhet byt' esche udivit
esli lyubov'yu glaza otkroet
ya budu umirat', razryvaya serdtsa
esli ubivat', to idti do kontsa
Delicadeza
ela cospe, entende, ela dormiu
não dá pra acordar até de manhã
a noite se enrolou em seu cobertor
os olhos ajudaram a fechar
ela mesma vai acordar quando o sol quiser
quando os pássaros começarem a chamar o céu
não a acorde, eu te peço muito
pra eu não ter que te matar
é bom que ela ainda não sabe
quanto sangue se tornou água
quantas almas sobem aos céus todo dia
vivendo pouco em seus corpos
quantas lágrimas ainda vão cair do céu azul
dos olhos das pessoas, drenando a umidade
que a força se sustenta na fraqueza alheia
e o fraco é rasgado em pedaços como papel
preciso protegê-la
pelo menos cobrir com meu corpo frágil
pra que mãos pegajosas do medo
não toquem em seus seios queridos
deixa ela ainda dormir
deixa ela sonhar com o vento e o mar
e por favor, deixa ela me perdoar
que eu vou roubar dela a dor
eu vou morrer, rasgando corações
se for pra matar, que seja até o fim
por cada dor que eu causei a ela
por cada cabelo que caiu de sua cabeça
eu vou esfregar sal nas suas feridas
com uma faca torta, abrindo a barriga
deixa ela ainda dormir
não a acorde, não vale a pena
o mundo pode ainda surpreendê-la
se o amor abrir seus olhos
eu vou morrer, rasgando corações
se for pra matar, que seja até o fim