Kryl'ia
Razrezh' mne pod lopatkoiu kozhu
Tam pritoilis' dva moikh kryla
Ved' vozdukh bal kogda - to mne dorozhe
Chem pod nogami tverdaia zemlia
Otkroj glaza i ia vorvus' v nikh slovno v nebo
I soberu slizinki v briliant
I kazhdyj mig kogda s toboj ia ne byl
Sebe vernu stolitiiu nazad
Ne bojsia byt' odnoj ia za tvoej spinoiu
Ia tikho vremeni schitaiu vek
I belym snegom, kak krylom tebia ukroiu
Ot piatogo aprelia, ot talykh bed
Ne priach' svoiu pechal' puskaj ona prol'etsia
Purpurnoj kaplej na kusochki l'da
Puskaj ona idet ved' vse ravno vernetsia
Ej kryl'ia ne nuzhny ona i tak legka
Ty rezhesh' pod lopatkoiu kozhu
Tam vmesto kryl'ev dva urodlivykh kriuchka
Teper' ia ne mogu letat' no vse zhe
Kogda - to mog i ehto vse, poka!
Asas
Corta minha pele sob a escápula
Ali se acomodaram duas das minhas asas
Pois o ar foi, em algum momento, mais valioso pra mim
Do que o chão firme sob meus pés
Abre os olhos e eu vou voar neles como se fosse pro céu
E vou juntar as gotinhas em diamante
E a cada instante que não estive com você
Vou me trazer de volta à cidade
Não tenha medo de estar sozinha, eu estou atrás de você
Eu conto o tempo como se fosse uma eternidade
E com a neve branca, como uma asa, te protejo
Do quinto de abril, de tais tristezas
Não esconda sua tristeza, deixa ela fluir
Como uma gota púrpura sobre pedaços de gelo
Deixa ela ir, pois de qualquer forma vai voltar
Pra ela, asas não são necessárias, ela já é leve
Você corta minha pele sob a escápula
Ali, no lugar das asas, dois ganchos feios
Agora não posso voar, mas mesmo assim
Um dia eu pude, e isso é tudo, tchau!