Sobaka
i ia ujdu rano
menia toropit nebo
i kazhetsia tak malo
i dazhe nigde ne byl
uspeiu, voz'mu bol'she
chtob dotashchit' s soboiu
vot tol'ko by podol'she
ne prorastat' travoiu
ko mne pridet sobaka
v molochno-beloj shkure
i razrazitsia draka
sil'nee vetra buri
moe khudoe telo
ona porvet klykami
ia dralsia, ia byl smelym
so slabymi rukami
menia vojna kormila
nadezhdami o mire
ona menia liubila
ia byl mishen'iu v tire
ona menia kromsala
krov' napolniaia gnoem
a belaia sobaka
byla vsegda s geroem
i ia srazhalsia diko
i byla pobeda
no bez vojny tak tikho
i ia sebia zhe predal
ia o sebe zhe plakal
v sebia s dvukh ruk streliaia
i belaia sobaka
prishla khvostom viliaia
ia vernus', ia vernus', nu i pust', ia vernus', ia vernus',
i ia ne znaiu kto by
mne byl by tak zhe predan
moej pechali vskhody
vzoshli uzhe do neba
sobaka noch' lakaet
p'et prostranstva vodu
vremia mne ostavliaet
v nem ia obretu svobodu
Cachorro
eu vou embora cedo
me apressa o céu
parece tão pouco
e nem estive em lugar nenhum
vou conseguir, vou levar mais
pra não ficar só
só não deixar crescer
na grama
um cachorro vem até mim
com pelagem branca e cremosa
e vai se transformar em dragão
mais forte que o vento da tempestade
meu corpo magro
ela vai rasgar com os dentes
eu lutei, eu fui corajoso
com as mãos fracas
a guerra me alimentou
com esperanças de paz
e ela me amava
eu era um alvo no tiro
ela me cercava
sangue enchendo o chão
e o cachorro branco
sempre esteve com o herói
e eu lutei como um louco
e houve vitória
mas sem guerra é tão silencioso
e eu mesmo me traí
eu chorei por mim mesmo
me atirando com as duas mãos
e o cachorro branco
veio abanando o rabo
eu vou voltar, eu vou voltar, e dane-se, eu vou voltar, eu vou voltar,
e eu não sei quem seria
tão igualmente traidor pra mim
as tristezas da minha vida
já subiram até o céu
o cachorro lambe a noite
canta a água do espaço
o tempo me deixa
nele eu encontrarei liberdade