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Conto

Fernando Delgadillo

Cuento

Nació una flor
Fragante y pura en el jardín del sol
Bajo sus pétalos rosados
Que temblaron humectados
Al audaz suspiro del albor
O sensación que es florecer
Y hablo la envidia de otra flor mayor
No dejes que te mire nunca el sol
La estrella ufana y el ardiente albor
Porque te debes a tu encierro
Y no hay ninguno digno
De aspirar tu encanto, tu candor
Así te digo pequeña flor

Creció la flor
Y fue delicia del jardín del sol
Pero envainada en su capullo
Por la duda y el orgullo
Que intentara abrir la vieja flor
O tentación en la flor tembló
Que sola y vana era la vida hasta hoy
No hay nada parte de esa voz y yo
Si todo es vano porque nací flor
Porque soy triste y transparente
Porque zozobra mi razón
Porque oigo trinos tan risueños
Que ruboran mis empeños de guardarme
Virginal de sol, de sol
Entonces fue que el sol vertió en cascadas
La ternura y un calor enamorado
En la caricia de su rayo
Tibia luz de un beso en mayo
Pero al mismo tiempo fue el secreto
Que se cuenta despacito
Al oído de mi amor

A ti mi flor
Mi niña pura cálida canción
Porque te quiero y los temores
Que sembraron viejas flores
En tu pecho se perdieron
Poco a poco tu cansada y triste voz
Porque invoco la ternura que se inventa con mi amor
Porque quiero florecer contigo
Siempre en el jardín del sol

Conto

Nasceu uma flor
Fragrante e pura no jardim do sol
Sob suas pétalas rosadas
Que tremiam umedecidas
Ao audacioso suspiro do amanhecer
Ou sensação de florescer
E falo da inveja de outra flor maior
Não deixe que o sol nunca te olhe
A estrela vaidosa e o ardente amanhecer
Porque você pertence ao seu aprisionamento
E não há ninguém digno
De aspirar seu encanto, sua candura
Assim te digo, pequena flor

Cresceu a flor
E foi a delícia do jardim do sol
Mas encolhida em seu botão
Por causa da dúvida e do orgulho
Que tentava abrir a velha flor
Ou tentação na flor tremulou
Que sozinha e vã era a vida até hoje
Não há nada além daquela voz e eu
Se tudo é vão, por que nasci flor?
Porque sou triste e transparente
Porque minha razão está em agonia
Porque ouço trinos tão alegres
Que ruborizam meus esforços de me guardar
Virginal do sol, do sol
Então foi que o sol derramou em cascatas
A ternura e um calor apaixonado
Na carícia de seu raio
Luz morna de um beijo em maio
Mas ao mesmo tempo foi o segredo
Que se conta devagarinho
Ao ouvido do meu amor

A ti, minha flor
Minha menina pura, canção calorosa
Porque eu te amo e os medos
Que semearam velhas flores
Em seu peito se perderam
Pouco a pouco sua voz cansada e triste
Porque invoco a ternura que se inventa com meu amor
Porque quero florescer contigo
Sempre no jardim do sol

Composição: