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Amor de Torre

Della Suite

Amor de Torre

Ha amanecido
Se fue esta mañana él con mucho sigilo
La cama vacía se llena de frío
Se pone su ropa y frente al espejo una lágrima brota

Vacía una copa lo piensa y discrepa
Tan solo se topa con líos
Descalza camina hacia el río

Murmuran las gotas
Parecen navíos sombríos
Navega en su propio tormento
Lamentos envía al olvido

La torre algo nota
La voz de una bella doncella, presa
Expresa silencios a gritos

Las aves en él han tejido sus nidos
Impíos profanan sus rocas
Claveles sellaron su boca rota
Por grietas

Toda su silueta repleta de siglos perdidos
Las setas poetas del bosque frondoso
Admiran su encanto
Comparten su llanto en el canto de un viento santo

Planeando un hoja, tan seca y marrón
Se toma una pausa en su manto
Levanta la dama su hermosa mirada
Al bosque y su mágico encanto

Se adentra tenaz en él

Atalaya erguida en piedra recia
Piensa en mi mirar cuando oscurezca
Al albor resonarán mil voces
Oirás mi entonar

Chica hecha de pasión y barro
Suave, fina y mansa cual guijarro
Siento un martirio tu partida
Erguida yo te esperaré

Soles, lunas, mil cometas
Mutan los colores de estaciones
Y debutan natural

A veces no se encuentran
Más ya no se inmutan, aprendieron a esperar

Entre la penumbra de una lluvia se besaron
Se empapan, escapan y atrapan momentos
La dócil doncella manó un sentimiento abrasador
El interior del jaque es su nuevo espacio de calor

Ha amanecido
Se fue esta mañana con mucho sigilo
La cama vacía asimila estar sola
Ya nadie camina entre el cuarto
Y frente al espejo no habitan reflejos

Amor de Torre

Amanheceu
Ele foi embora esta manhã, com muito sigilo
A cama vazia se enche de frio
Coloca sua roupa e, diante do espelho, uma lágrima brota

Esvazia uma taça, pensa e discorda
Só se depara com problemas
Descalça, caminha em direção ao rio

As gotas murmuram
Parecem navios sombrios
Navega em seu próprio tormento
Lamentos envia ao esquecimento

A torre percebe algo
A voz de uma bela donzela, presa
Expressa silêncios a gritos

Os pássaros nele teceram seus ninhos
Ímpios profanam suas rochas
Cravos selaram sua boca quebrada
Por fendas

Toda sua silhueta repleta de séculos perdidos
Os cogumelos poetas da floresta densa
Admira seu encanto
Compartilha seu pranto no canto de um vento sagrado

Planejando uma folha, tão seca e marrom
Faz uma pausa em seu manto
A dama levanta seu belo olhar
Para a floresta e seu encanto mágico

Adentra tenaz nele

Atalaia erguida em pedra dura
Pensa em meu olhar quando escurecer
Ao amanhecer ressoarão mil vozes
Ouvirás meu entoar

Menina feita de paixão e barro
Suave, fina e mansa como um seixo
Sinto um martírio com sua partida
Erguida, eu te esperarei

Sóis, luas, mil cometas
Mutam as cores das estações
E estreiam naturalmente

Às vezes não se encontram
Mas já não se abalam, aprenderam a esperar

Entre a penumbra de uma chuva se beijaram
Se empapam, escapam e capturam momentos
A dócil donzela deixou fluir um sentimento abrasador
O interior do jaque é seu novo espaço de calor

Amanheceu
Ele foi embora esta manhã, com muito sigilo
A cama vazia assimila estar sozinha
Já ninguém caminha pelo quarto
E diante do espelho não habitam reflexos

Composição: Della Suite