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Chamamé de Campo

Desidério Souza

Letra

    Chamamé de campo que acende o dia pelas plainuras
    Que reponta o gado para o rodeio toda a manhã
    Vai soprando acordes no vento norte pelas lonjuras
    Agitando as copas dos paraísos e tarumãs!

    Chamamé de campo que andava livre, potro indomado
    Que se ouvia ao longe, cortando os campos ainda em flor
    Foi perdendo espaço e é prisioneiro dos aramados
    E o seu timbre antigo foi apagado pelo trator

    Mas quem traz a alma chamamecera, mesmo no asfalto
    Sabe ser do campo, de um jeito puro que não se trai
    Mostra que a querência, dentro do homem, fala mais alto
    E, quebrando o gelo, fere o silêncio num sapucay!

    Chamamé de campo que acorda a lua na noite escura
    Embalando o fogo para o campeiro que sente frio
    Vai sorvendo a mágoa que traz a erva na ceivadura
    Seu passado índio que foi embora seguindo os rios!

    Quando, nas estâncias que ainda resistem, o gado berra
    O campeiro sofre de nostalgia por compreender
    Que o mugido soa como um lamento da própria terra
    Que acalenta a pampa e que se transcende num chamamé!

    Composição: Desidério Souza / RODRIGO BAUER. Essa informação está errada? Nos avise.

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