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De Tropeiro a Cantador

Desidério Souza

Letra

    Peço licença senhores, eu estou chegando agora
    De roseta buzinuda tilintando nas esporas
    E basteriado de saudade de muitas tropas de autrora

    Sou troupeiro e cantador e venho ringindo carona
    Engraxo o fio da coqueiro, num churrasco de mamona
    Guardo risadas de China nas ileiras da cordeona

    Se acaso apeio num rancho, pra golpear um trago de vinho
    Carrego junto a cordeona, não gosto de andar sozinho
    Tenho um vício desde a infância, trocar canção por carinho

    Pois no rincão onde eu moro para as bailanta eu me resbalo
    Levo a gaita na garupa e ato o cacho a canta galo
    E as moça vão pra a janela só pra me ver de acavalo

    Sou mais ou menos assim nas horas de precisão
    Faço chorar a cordeona sei dedilhar um violão
    E entendo toda a perícia da boca de um redomão

    Hoje completou dez dias que cheguei de uma tropeada
    Com a saudade de uma China vinha de alma estropiada
    E a goela roca de abrir o peito na culatra da boiada

    Composição: Desidério Souza / Jailso Alves Saldanha Papa Figo. Essa informação está errada? Nos avise.

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