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Provinciana

Desidério Souza

Letra

    Gaita velha candongueira que soluçando se embala
    Botando ordem na sala numa festa galponeira
    Do assoalho levanta poeira toda a pampa se engalana
    Se esta gaita provinciana retrecha numa vaneira

    Quando teu fole se abre
    Neste toque Guarany
    É a própria alma gaúcha
    Que sai de dentro de ti

    Ouvindo uma botoneira tenho a impressão momentânea
    Que esta gaita litorânea, do planalto ou da fronteira
    É serrana ou é costeira, quem sabe da mesma cria
    Da gaita do Tio Bilia pura cepa missioneira

    Quando um gaiteiro pavena com os dedos aveludados
    Acaricia o teclado da velha gaita torena
    A noite fica pequena e o vivente se apaixona
    Parece ver a cordeona o corpo de uma morena

    Quando eu me for do rincão pra o meu derradeiro abrigo
    Quero esta gaita comigo aberta sobre o caixão
    Pra minha alma de peão retornar de quando em vez
    Vim vaneirear com vocês num surungo de galpão

    Composição: Desidério Souza / José Oliveira Estivalet. Essa informação está errada? Nos avise.

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