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No Bojo da Minha Cordeona

Desidério Souza

Letra

    Minha voz levo em acordes, mando no som da cordeona
    Cada tecla é uma paisagem que meu sentimento entona
    Carrego, dentro da caixa tons de esteiros e banhados
    Nas escalas: Passaredos, nos baixos: Berros de gado

    Selva e verde chaco y suelo, alma de índios pomberos
    Sons de rios um céu correndo em llantos chamameceros
    Cabe o que eu vejo e faço no bojo da minha acordeona
    Que de tanto que lhe abraço, penso até que ela é minha dona

    Nos invernos, o minuano sopra e me pede um costado
    Enquanto a charlar co'a prenda, reacendo um fogo ajeitado
    Desencarango meus dedos, depois de uns goles de vinho
    Entre a linda e a cordeona eu divido os meus carinhos

    No bojo da minha cordeona não há mapas, não há linhas
    Porque a nossa geografia é a pampeana que amadrinha
    Chora em taperas e ruínas, e embala ânsias puebleras
    Campo e mato alma e terra por ressonâncias campeiras

    Assim minha vida passeia, entre negras baixaria
    Quando um recuerdo escarceia pedindo campo à poesia
    O ar desgarra do fole, pra ressonar pelo espaço
    Y mi taragui de inteira pulsa no que abre meu braço

    Composição: Diego Muller, Desiderio Souza, Ramiro Amorim. Essa informação está errada? Nos avise.

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