
No Bojo da Minha Cordeona
Desidério Souza
Minha voz levo em acordes, mando no som da cordeona
Cada tecla é uma paisagem que meu sentimento entona
Carrego, dentro da caixa tons de esteiros e banhados
Nas escalas: Passaredos, nos baixos: Berros de gado
Selva e verde chaco y suelo, alma de índios pomberos
Sons de rios um céu correndo em llantos chamameceros
Cabe o que eu vejo e faço no bojo da minha acordeona
Que de tanto que lhe abraço, penso até que ela é minha dona
Nos invernos, o minuano sopra e me pede um costado
Enquanto a charlar co'a prenda, reacendo um fogo ajeitado
Desencarango meus dedos, depois de uns goles de vinho
Entre a linda e a cordeona eu divido os meus carinhos
No bojo da minha cordeona não há mapas, não há linhas
Porque a nossa geografia é a pampeana que amadrinha
Chora em taperas e ruínas, e embala ânsias puebleras
Campo e mato alma e terra por ressonâncias campeiras
Assim minha vida passeia, entre negras baixaria
Quando um recuerdo escarceia pedindo campo à poesia
O ar desgarra do fole, pra ressonar pelo espaço
Y mi taragui de inteira pulsa no que abre meu braço



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