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O Deserto

Diamanda Galas

The Desert

My era tells me bluntly:
You do not belong.
I answer bluntly:
I do not belong,
I try to understand you.
Now I am a shadow
Lost in the forest
Of a skull

I'm on my feet, the wall is a fence -
The distance shrinks, a window recedes.
Daylight is a thread
Snipped by my lungs to stitch the evening.

All I said about my life and death
Recurs in the silence
Of the stone under my head...

Am I full of contradictions? That is correct.
Now I am a plant. Yesterday, when I was between fire and water
I was a harvest.
Now I am a rose and live coal,
Now I am the sun and the shadow
I am not a god.
Am I full of contradictions? That is correct...

The moon always wears
A stone helmet
To fight its own shadows.

The door of my house is closed.
Darkness is a blanket:
A pale moon comes with
A handful of light
My words fail
To convey my gratitude.

The killing has changed the city's shape - This rock is bone
This smoke people breathing.

We no longer meet,
Rejection and exile keep us apart.
The promises are dead, space is dead,
Death alone has become our meeting point.

He shuts the door
Not to trap his joy
...But to free his grief.

A newscast
About a woman in love
Being killed,
About a boy being kidnapped
And a policeman growing into a wall.

Whatever comes it will be old
So take with you anything other then this madness - get ready
To stay a stranger...

They found people in sacks:
One without a head
One without a tongue or hands
One squashed
The rest without names.
Have you gone mad? Please,
Do not write about these things.

You will see
Say his name
Say I painted his face
Stretch your hand to him
Or walk like any man
Or smile
Or say I was once sad
You will see
There is no homeland...

There may come a time when you'll be
Accepted to live deaf and dumb, and perhaps
They'll let you mumble: death,
Life, resurrection -
And peace be upon you.

He wears Jihad uniform, struts in a mantle of ideas.
A merchant - he does not sell clothes, he sell people.

They took him to a ditch and burnt him.
He was not a murderer, he was a boy.
He was not...
He was a voice
Vibrating, scaling the steps of space.
And now he's fluting in the air.

Darkness.
The earth's trees have become tears on heaven's cheeks.
An eclipse in this place.
Death snapped the city's branch and the friends departed.

You do not die because you are created or because you have a body
You die because you are the face of the future.

The flower that tempted the wind to carry its perfume
Died yesterday.

The sun no longer rises
It covers its feet with straw
And slips away...

O Deserto

Minha era me diz na lata:
Você não pertence.
Eu respondo na lata:
Eu não pertenço,
Tento te entender.
Agora sou uma sombra
Perdida na floresta
De um crânio

Estou de pé, a parede é uma cerca -
A distância encolhe, uma janela se afasta.
A luz do dia é um fio
Cortado pelos meus pulmões para costurar a noite.

Tudo que eu disse sobre minha vida e morte
Retorna no silêncio
Da pedra sob minha cabeça...

Estou cheio de contradições? Isso mesmo.
Agora sou uma planta. Ontem, quando estava entre fogo e água
Eu era uma colheita.
Agora sou uma rosa e carvão vivo,
Agora sou o sol e a sombra
Não sou um deus.
Estou cheio de contradições? Isso mesmo...

A lua sempre usa
Um capacete de pedra
Para lutar contra suas próprias sombras.

A porta da minha casa está fechada.
A escuridão é um cobertor:
Uma lua pálida vem com
Um punhado de luz
Minhas palavras falham
Em transmitir minha gratidão.

O assassinato mudou a forma da cidade - Esta pedra é osso
Essa fumaça que as pessoas respiram.

Não nos encontramos mais,
Rejeição e exílio nos mantêm afastados.
As promessas estão mortas, o espaço está morto,
A morte sozinha se tornou nosso ponto de encontro.

Ele fecha a porta
Não para prender sua alegria
...Mas para libertar sua dor.

Um telejornal
Sobre uma mulher apaixonada
Sendo morta,
Sobre um menino sendo sequestrado
E um policial crescendo em uma parede.

O que vier será velho
Então leve com você qualquer coisa além dessa loucura - prepare-se
Para continuar um estranho...

Encontraram pessoas em sacos:
Uma sem cabeça
Uma sem língua ou mãos
Uma esmagada
O resto sem nomes.
Você ficou louco? Por favor,
Não escreva sobre essas coisas.

Você verá
Diga o nome dele
Diga que pintei seu rosto
Estenda sua mão para ele
Ou ande como qualquer homem
Ou sorria
Ou diga que um dia estive triste
Você verá
Não há pátria...

Pode chegar um tempo em que você será
Aceito para viver surdo e mudo, e talvez
Eles deixem você murmurar: morte,
Vida, ressurreição -
E a paz esteja com você.

Ele veste uniforme de Jihad, desfila em um manto de ideias.
Um comerciante - ele não vende roupas, ele vende pessoas.

Levaram-no para uma vala e o queimaram.
Ele não era um assassino, ele era um menino.
Ele não era...
Ele era uma voz
Vibrando, escalando os degraus do espaço.
E agora ele está flautando no ar.

Escuridão.
As árvores da terra se tornaram lágrimas nas bochechas do céu.
Um eclipse neste lugar.
A morte quebrou o galho da cidade e os amigos partiram.

Você não morre porque foi criado ou porque tem um corpo
Você morre porque é o rosto do futuro.

A flor que tentou o vento a levar seu perfume
Morreu ontem.

O sol não nasce mais
Ele cobre os pés com palha
E escorrega para longe...

Composição: