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Desdém (b)

Diego Arzeno

Desdén (b)

Poco me importa, muchacha, tu desdén,
Porque sincero lo sé y de verdad;
En cambio sí, me lastimaría el alma,
Si me dijeran que ya de mí no hablás.

Hasta me halaga si dices por allí,
Es un perverso, un canalla y un infiel,
Porque demuestras que el odio te domina,
Y el odio fue amor, vuelto al revés.

Porque ya sabés, tu odio es para mí,
El mismo riego que se da a la flor,
Porque yo soy desde ahora tu verdugo,
Tal como vos lo has sido de mi amor.

Bendita sea esta oportunidad
Que da la vida para poder ser cruel,
Con quien otrora nos mezclaba en el vino
De nuestras vidas las gotas de hiel.

Cuando recién se daba a florecer
Mi corazón, vos fuiste a mi amor,
Cual la muñeca muy linda que deseabas,
En tu niñez y tu madre te compró.

Porque al final a tu alma me asomé,
Y con horror doliente comprendí,
Que eras muñeca, no obstante tu belleza,
De corazón que era estopa y aserrín...

Desdém (b)

Pouco me importa, garota, seu desdém,
Porque eu sei a verdade, e é sincera;
Mas sim, me machucaria a alma,
Se me dissessem que você não fala mais de mim.

Até me elogia se você diz por aí,
É um perverso, um canalha e um infiel,
Porque você mostra que o ódio te domina,
E o ódio foi amor, virado ao contrário.

Porque você já sabe, seu ódio é pra mim,
O mesmo cuidado que se dá à flor,
Porque eu sou a partir de agora seu algoz,
Assim como você foi do meu amor.

Bendita seja essa oportunidade
Que a vida dá pra poder ser cruel,
Com quem outrora nos misturava no vinho
Das nossas vidas, as gotas de fel.

Quando começava a florescer
Meu coração, você foi ao meu amor,
Como a boneca linda que você desejava,
Na sua infância, e sua mãe te comprou.

Porque no final eu me aproximei da sua alma,
E com horror dolorido compreendi,
Que você era boneca, apesar da sua beleza,
Com um coração que era estopa e serragem...

Composição: