Circo
Le debo un poema al circo de mi infancia
Ayer he visto la carpa desplegada y de nuevo he sentido
Temor del trapecista
Siempre tuve temor del aire de su muerte
Pues entrando en el verano olor de establo artificial
Oigo la música azul de sus espejos
Y pienso que alguien puede cortar el hilo que va de la
Vida a la muerte
Y quedar entonces para siempre
El gesto solo
No ser ya ni pájaro, ni hombre
Ni acróbata
Ni circo
Circo
Devo um poema ao circo da minha infância
Ontem vi a tenda montada e de novo senti
Medo do trapezista
Sempre tive medo do ar da sua morte
Pois entrando no verão, cheiro de estábulo artificial
Ouço a música azul dos seus espelhos
E penso que alguém pode cortar o fio que vai da
Vida à morte
E ficar então para sempre
O gesto só
Não ser mais nem pássaro, nem homem
Nem acróbata
Nem circo
Composição: Carlos Galindo / Diego Gutierrez