Mi Comodín
Antes de que estrellases tu corazón contra el diván
donde envejeció recostada mi polvorienta inmensidad
Antes de atreverme a pisar el suelo sin mirar
Antes de arrojar mis ojeras al mar..
Creía que nada era más terco
que el crujido de mi arrítmico respirar
Te conocí, por fin...
Mucho antes de arrancar de mi entrecejo un alacrán
Antes de tirar al mundo mis huesos y empezar a rodar
Antes de dejar de fruncir mi ceño al recordar
las horas del día aún por matar..
Creía que nada era más terco
que el crujido de mi arrítmico respirar
Te conocí, por fin...
¿Dónde estabas antes de usurparle
mi alma al mismo Satanás?
¿Dónde? antes de descuartizar
los peldaños de este negro altar
Por fin...
Antes de aflojar de mi pecho un bozal
de alambre oxidado y de hielo mortal..
Creía que nada era más terco
que el crujido de mi arrítmico respirar
Te conocí, por fin...
Por fin.. pude jugar mi comodín...
Por fin.. quise intentar vivir...
Meu Coringa
Antes de você estourar seu coração contra o sofá
onde envelheceu reclinada minha imensidão empoeirada
Antes de eu me atrever a pisar o chão sem olhar
Antes de jogar minhas olheiras no mar..
Eu achava que nada era mais teimoso
que o estalo da minha respiração arrítmica
Te conheci, finalmente...
Muito antes de arrancar de minha testa um escorpião
Antes de jogar meus ossos ao mundo e começar a rolar
Antes de parar de franzir a testa ao lembrar
as horas do dia ainda por matar..
Eu achava que nada era mais teimoso
que o estalo da minha respiração arrítmica
Te conheci, finalmente...
Onde você estava antes de usurpar
minha alma do próprio Satanás?
Onde? antes de despedaçar
os degraus deste altar negro
Finalmente...
Antes de soltar do meu peito um grilhão
de arame enferrujado e de gelo mortal..
Eu achava que nada era mais teimoso
que o estalo da minha respiração arrítmica
Te conheci, finalmente...
Finalmente.. pude jogar meu coringa...
Finalmente.. quis tentar viver...