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Retrato da Minha Vida

Djordje Balasevic

Portret mog zivota

Vetar prosipa bokal fosfora.
Vitraz mraza na oknu prozora.
Jedne noci k'o ova, znace Bog,
doslikacu portret zivota svog.

Silueta se davno nazire.
Neko uzdahne, neko zazire.
Isto vide a razno tumace,
djavo prste u farbu umace.

Prave si boje dodala na taj portret zivota mog:
talase plave, nijansu lave, vrtloge zelenog.
I lila, tamnu, ceznjivu,
i boju breskve, neznu i sramezljivu,
setno sivu, nepogresivu.

Roze nadjoh medj' starim pismima,
modru vrpcu nad teskim mislima,
ukrah ridju iz pera drozdova,
laki purpur iz prvih grozdova.

Uzeh oker sa svece svecarske,
drap sa svilene masne becarske,
mrku s tambure tuznih tonova
a cinober sa nosa klovnova.

Prave si boje dodala na taj portret zivota mog:
talase plave, nijansu lave, vrtloge zelenog.
A crnu nisi stedela,
ali bez nje bi bela jos izbledela -
bez crne bela ne bi vredela.

Srce je moje napuklo
k'o kora starog bagrema,
al' u tvom oku kao lane zadrema.
I, jedva, kao sapati,
nicu u uglovima zlatne paprati.
Pramen sna u sliku navrati.

Retrato da Minha Vida

O vento derrama um copo de fósforo.
Vitral da geada na janela do quarto.
Numa noite como esta, sabe Deus,
vou pintar o retrato da minha vida.

A silhueta já se avista há tempos.
Alguém suspira, alguém se assusta.
Vêem a mesma coisa, mas interpretam diferente,
O diabo mergulha os dedos na tinta.

Você adicionou as cores certas a esse retrato da minha vida:
ondas azuis, tons de laranja, redemoinhos verdes.
E lilás, escuro, cheio de desejo,
e a cor pêssego, delicada e tímida,
cinza melancólico, inconfundível.

Encontrei rosa entre cartas antigas,
uma fita azul sobre pensamentos pesados,
peguei um pouco de ruivo das penas dos tordos,
e um leve púrpura das primeiras uvas.

Peguei o ocre da vela do sacerdote,
e o drapeado da seda da costureira,
o marrom dos lamentos de um tambor
e o cinábrio do nariz de um palhaço.

Você adicionou as cores certas a esse retrato da minha vida:
ondas azuis, tons de laranja, redemoinhos verdes.
E você não poupou o preto,
mas sem ele o branco ainda desbotaria -
sem o preto, o branco não teria valor.

Meu coração está rachado
como a casca de um velho pé de amora,
mas no seu olhar, como um cervo, adormece.
E, mal, como um sussurro,
nasce nos cantos das samambaias douradas.
Um fio de sonho retorna à imagem.