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Só pra não ter guerra

Djordje Balasevic

Samo da rata ne bude

Pijani momci prolaze
Duz nase tihe ulice.
Oni u vojsku polaze,
Prate ih tuzne curice,
Brinu ih slutnje sulude-
Da rata ne bude.

Ne mogu da me ne sete
Suze na vrhu nosica,
Devetsto-osamdesete,
Ulice Brane Cosica
I voza crnog k'o da s njim
Zauvek odlazim.

Znas sta,
Neka mora sve potope,
Nek' se gleceri rasture,
Vecni snegovi otope,
Pa sta,
Neka kise ne prestaju,
Neka gromovi polude,
Samo rata da ne bude.

Znas sta,
Nek' se doba preokrenu,
Nek' se zvezde uznemire,
Nek' se planine pokrenu,
Pa sta,
Vetri nek pomahnitaju
Nek' se vulkani probude,
Samo rata da ne bude.

K'o zlatni prah
Oreol sna,
Oklopnih malenih glavica,
I tvoja ljubav ranjiva,
Cuva ih kao lavica,
Lose te vesti uzbude,
Da rata ne bude.

Znas sta,
Neka mora sve potope,
Nek' se gleceri razvale,
Vecni snegovi otope,
Pa sta,
Kise neka ne prestaju,
Neka gromovi polude,
Samo rata da ne bude.

Znas sta,
Nek' se doba preokrenu,
Nek' se zvezde uznemire,
Nek' se planine pokrenu,
Pa sta,
Vetri nek pomahnitaju,
Nek' se vulkani probude,
Samo rata da ne bude.

Samo da rata ne bude,
Ludila medju ljudima,
Veliki nude zablude,
Plase nas raznim cudima
I svakoj bajci naude,
Da rata ne bude.

Só pra não ter guerra

Rapazes bêbados passam
Pelas nossas ruas silenciosas.
Eles vão para o exército,
Acompanhados de garotas tristes,
Preocupadas com as loucas intuições-
Pra não ter guerra.

Não consigo não me lembrar
Das lágrimas no topo do nariz,
Novecentos e oitenta,
Nas ruas de Brane Cosic
E o carro preto como se com ele
Eu estivesse indo pra sempre.

Sabe o que é?
Que o mar leve tudo embora,
Que as geleiras se despedaçam,
Que as neves eternas derretam,
E daí?
Que a chuva não pare nunca,
Que os trovões enlouqueçam,
Só pra não ter guerra.

Sabe o que é?
Que a era se inverta,
Que as estrelas se agitem,
Que as montanhas se movam,
E daí?
Que os ventos fiquem furiosos
Que os vulcões acordem,
Só pra não ter guerra.

Como um pó dourado
A auréola do sonho,
Das pequenas cabeças blindadas,
E seu amor vulnerável,
Protege-as como uma leoa,
Más notícias a agitam,
Pra não ter guerra.

Sabe o que é?
Que o mar leve tudo embora,
Que as geleiras se despedaçam,
Que as neves eternas derretam,
E daí?
Que a chuva não pare nunca,
Que os trovões enlouqueçam,
Só pra não ter guerra.

Sabe o que é?
Que a era se inverta,
Que as estrelas se agitem,
Que as montanhas se movam,
E daí?
Que os ventos fiquem furiosos,
Que os vulcões acordem,
Só pra não ter guerra.

Só pra não ter guerra,
Loucura entre as pessoas,
Os grandes oferecem ilusões,
Nos assustam com várias maravilhas
E estragam cada conto de fadas,
Pra não ter guerra.