Derrière les volets
Dans la petite rue de ma petite ville,
De l'aurore à la nuit, les volets des maisons
Restent à demi clos et des vieilles tranquilles,
Derrière ces volets, depuis tant de saisons,
Ecoutent s'écouler des heures si pareilles
Que, tricotant leurs bas ou disant leur Avé,
Sans même se pencher, rien qu'en tendant l'oreille,
Elles savent les pas qui frappent le pavé.
Car depuis des années on entend la laitière,
Toujours à la même heure, arriver le matin
Et monsieur le curé, sortir du presbytère,
Tandis que dans la rue s'ouvrent les magasins.
Derrière les volets de ma petite ville,
Des vieilles en bonnet vivent tout doucement
Et, comme un chapelet entre leurs mains dociles,
Les mois et les saisons s'égrènent lentement.
Quand l'angélus du soir troublera l'air tranquille,
Elles se signeront et, sans faire de bruit,
Elles enfermeront le silence et la nuit
Derrière les volets de ma petite ville.
Hélas, il n'y a pas que des vieilles paisibles,
Derrière les volets, à l'air trop innocent !
Des bavardes aussi vous guettent, invisibles,
Prêtes à déchirer quand viendra le moment.
Il n'est pas de secret que gardent ces commères,
A l'abri des rideaux, l'œil et l'oreille au guet,
Et qui vont répéter bien vite à leur manière,
Un mot mal entendu à travers les volets
Et tandis qu'à côté, quelque aïeule tremblante,
Un rosaire à la main, prie pour les trépassés,
Quelques cerveaux étroits, quelques langues méchantes
Font du mal qui jamais ne pourra s'effacer.
Derrière les volets de ma petite ville,
Il n'y a pas toujours que des yeux indulgents.
La jalousie, la haine y trouvent un asile
Et nul n'est à l'abri de leurs propos méchants.
Aussi les amoureux qui, la nuit, se faufilent,
Quand la nuit paraît, se disent vite adieu.
Ils savent que, toujours, se cachent des curieux
Derrière les volets de ma petite ville.
Et plus tard quand, lassé de gaspiller ma vie,
Je laisserai mon cœur écouter ma raison,
J'irai me reposer sans regret, sans envie,
Derrière les volets de ma vieille maison.
J'éviterai surtout d'être un vieillard morose,
J'aurai beaucoup appris, ayant les cheveux blancs.
Je me dirai : La vie dépend de tant de choses
Qu'aux fautes du prochain, il faut être indulgent.
Avec moi, les enfants pourront tout se permettre
Je serai faible et bon avec les amoureux
Et je leur sourirai, le soir, de ma fenêtre,
Songeant au bon vieux temps où je faisais comme eux.
Derrière les volets de ma petite ville,
Un jour, je m'en irai vieillir tout doucement,
Et je me souviendrai d'histoires puériles
Que je raconterai aux tout petits enfants.
Quand l'angélus du soir troublera l'air tranquille,
Je m'enfermerai seul avec mes souvenirs
Puis un jour, doucement, me laisserai mourir
Derrière les volets de ma petite ville.
Atrás das Janelas
Na pequena rua da minha cidade,
Da aurora até a noite, as janelas das casas
Ficam entreabertas e as velhinhas tranquilas,
Atrás dessas janelas, há tantas estações,
Escutam passar horas tão iguais
Que, tricotando suas meias ou rezando seu Ave,
Sem nem se inclinar, só esticando o ouvido,
Elas sabem os passos que batem na calçada.
Pois há anos se ouve a leiteira,
Sempre na mesma hora, chegando de manhã
E o senhor padre, saindo do presbitério,
Enquanto na rua as lojas vão abrindo.
Atrás das janelas da minha cidade,
As velhinhas de touca vivem bem devagar
E, como um terço entre suas mãos dóceis,
Os meses e as estações se escoam lentos.
Quando o ângelus da noite perturbar o ar tranquilo,
Elas se assinalarão e, sem fazer barulho,
Elas trancarão o silêncio e a noite
Atrás das janelas da minha cidade.
Infelizmente, não há só velhinhas pacíficas,
Atrás das janelas, com um ar tão inocente!
As faladeiras também te espreitam, invisíveis,
Prontas para espalhar quando chegar a hora.
Não há segredo que essas comadres guardem,
Abrigadas atrás das cortinas, olho e ouvido atentos,
E que vão repetir bem rápido à sua maneira,
Uma palavra mal ouvida através das janelas.
E enquanto ao lado, alguma vovó trêmula,
Um rosário na mão, reza pelos falecidos,
Alguns cérebros estreitos, algumas línguas maldosas
Fazem o mal que nunca poderá ser apagado.
Atrás das janelas da minha cidade,
Nem sempre há só olhos indulgentes.
A inveja, o ódio encontram abrigo
E ninguém está a salvo de suas falas cruéis.
Assim, os amantes que, à noite, se esgueiram,
Quando a noite chega, logo se dizem adeus.
Eles sabem que, sempre, se escondem curiosos
Atrás das janelas da minha cidade.
E mais tarde, quando, cansado de desperdiçar minha vida,
Deixar meu coração ouvir minha razão,
Irei descansar sem arrependimento, sem desejo,
Atrás das janelas da minha velha casa.
Evitarei, sobretudo, ser um velho rabugento,
Terei aprendido muito, com os cabelos brancos.
Direi a mim mesmo: A vida depende de tantas coisas
Que, com os erros dos outros, é preciso ser indulgente.
Comigo, as crianças poderão tudo
Serei fraco e bom com os amantes
E lhes sorrirei, à noite, da minha janela,
Pensando no bom tempo em que eu fazia como eles.
Atrás das janelas da minha cidade,
Um dia, irei envelhecer devagar,
E me lembrarei de histórias infantis
Que contarei aos pequeninos.
Quando o ângelus da noite perturbar o ar tranquilo,
Eu me trancarei sozinho com minhas memórias
Então, um dia, suavemente, deixarei morrer
Atrás das janelas da minha cidade.