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Nada de novo, nada de novo

Oliver Dragojevic

Nista novo, nista novo

Ništa nova, ništa nova
posli fešte kisne vala,
u pitaru lipi snova
cilo lito tu si stala.
Raštimane sad su ure,
zatvorene gnjiju škure...
Sad životu, punon zima,
okrenuta nan je prova,
odrišena veæ je cima,
ništa nova, ništa nova...

Pala je u more stina
i prozebli grdelini,
uz gradele, kraj komina
nima ko da te zaini.
I dok jugo stalno jaèa,
oko kuæe reste draèa...
Sve se sprema da podivja,
a mi kano stara bova
plutamo bez pravog cilja:
ništa nova, ništa nova...

Uzalud privræen foje
èa æe reæ mi na sva justa,
svi govore: bit æe boje,
barbirija veæ je pusta.
Vaja vrime niz skaline
vonj mižerje i morbine...
I briškulu dikod baci
klapa èa još ni gotova
da ostari po bonaci,
ništa nova, ništa nova...

Finili su pusti kanti
i promukla veæ je klapa,
i po dobru svak te panti
stareæ s nama sve do šèapa.
Naresle su nove plime,
popucale surgadine...
Još se pine dugi vali
i po mistu reve tovar,
jarboli u more pali:
ništa nova, ništa nova

Nada de novo, nada de novo

Nada de novo, nada de novo
após a festa, chuva e lama,
no barril dos bons sonhos
todo verão você ficou.
As janelas agora estão fechadas,
se escondendo, se encolhendo...
Agora a vida, cheia de inverno,
vira a cara pra gente,
solta a corda, já tá na hora,
nada de novo, nada de novo...

Caiu uma pedra no mar
e os canários estão com frio,
perto da lareira, ao lado da chaminé
não tem quem te abrace.
E enquanto o vento sul só aumenta,
em volta da casa cresce a briga...
Tudo se prepara pra enlouquecer,
e nós como uma velha boia
flutuamos sem um verdadeiro destino:
nada de novo, nada de novo...

De nada adianta me esforçar
e o que vou dizer não vale nada,
todos falam: vai melhorar,
mas a barbearia já tá vazia.
O tempo escorre pelas escadas
e o cheiro de miséria e mar...
E a brisinha ainda joga a bola
a galera que ainda não tá pronta
pra envelhecer na calmaria,
nada de novo, nada de novo...

Acabaram os cantos vazios
e a voz rouca já não canta,
e por bem, todo mundo se lembra
de envelhecer com a gente até o fim.
As novas marés já chegaram,
quebraram as ondas...
Ainda se levantam longas ondas
e pela cidade gritam os burros,
mastros caindo no mar:
nada de novo, nada de novo.

Composição: