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Suicídio

Diane Dufresne

Suicide

Je me verrais bien me taper de l'arsenic
J'entends mes râles émouvants
Je vois quelques sables mouvants
Se coller à mes cosmétiques

Je verrais assez ma tête au bout d'une pique
Mon joli petit cou sanglant
Ou me faire les carte s en trichant
Et me tirer l'as de pique

Je me verrais bien là-bas dans l'Antarctique
Me mettre autour de mon séant
Au beau milieu de l'océan
Une bouée marquée Titanic

Je me verrais bien mordue par une aspic
Ou encore par un chien errant
La proche pharmacie manquant
De sérum antirabique

Je me verrais bien sur un pain de plastic
Comme Larousse semer à tout vent
Mes quatre membres et moi crevant
De cette chirurgie esthétique

Je me verrais bien le crâne entre deux brique
Une à une cracher mes dents
Exhaler en caillots de sang
Tout mon amour égocentrique

Je verrais bien ma guitare électrique
Me foudroyer en un instant
Je me vois aussi innocente
Assassinée par la critique

Je me vois lynchée sur la place publique
Par mes admirateurs d'antan
Qui m'aiment encore qui m'aiment tant
Je me vois huée par mon public

Suicídio

Eu me veria bem tomando arsênico
Ouço meus gemidos emocionantes
Vejo algumas areias movediças
Grudando nos meus cosméticos

Eu veria bem minha cabeça no fim de uma lança
Meu lindo pescoço ensanguentado
Ou me fazendo as cartas trapaceando
E puxando o ás de espadas

Eu me veria bem lá no Antártico
Sentado em meu traseiro
No meio do oceano
Uma boia marcada Titanic

Eu me veria bem mordida por uma víbora
Ou ainda por um cachorro vagabundo
A farmácia mais próxima faltando
Soro antirrábico

Eu me veria bem em um bloco de plástico
Como Larousse espalhando ao vento
Meus quatro membros e eu morrendo
Dessa cirurgia estética

Eu me veria bem com o crânio entre dois tijolos
Um a um cuspindo meus dentes
Exalando em coágulos de sangue
Todo meu amor egocêntrico

Eu veria bem minha guitarra elétrica
Me fulminando em um instante
Eu me vejo também inocente
Assassinada pela crítica

Eu me vejo linchada na praça pública
Por meus admiradores de outrora
Que ainda me amam, que me amam tanto
Eu me vejo vaiada pelo meu público

Composição: C. Engel / S. Gainsbourg