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A Última Noite

Dulce Mello

La Ultima Noche

Conté los lunares de tu espalda en la penumbra
Sabiendo que al día siguiente todo se derrumba
La luz estaba baja, tímida, cobarde
Y yo te amaba fuerte, para que fuera tarde
Para el fin
Para el momento en que ya no estés aquí

Nos hicimos la promesa silenciosa de no hablar
De evitar el tema, de no preguntar
Queríamos congelar el momento, en un acto de fe
Para que el adiós no tuviera dónde caer
Y el silencio se hizo denso, pesado

Fue la última noche que tu piel fue mi casa
La última dosis de ti que mi alma traspasa
Besé tu cuello lento, sabiendo la verdad
Que este recuerdo me va a matar de soledad
Fuimos dos fantasmas que se abrazan al fin
Sabiendo que mañana no existirá el después

Guardé el olor de tu camisa en mi memoria
Para tener algo que quemar en esta hoguera, esta historia
Y la ciudad afuera seguía su rutina
Mientras nosotros moríamos en la penumbra asesina
Tus dedos en mi pelo eran un ancla rota
Y yo fingía no sentir la última gota

¡Si pudiera, volvería a esa hora exacta!
A contar los lunares, a romper el acta
Dame solo un segundo más de tu boca en la mía
Para que la tristeza me duela menos al día
¡Al día que no estás!

Fue la última noche que tu piel fue mi casa
La última dosis de ti que mi alma traspasa
Besé tu cuello lento, sabiendo la verdad
Que este recuerdo me va a matar de soledad
Fuimos dos fantasmas que se abrazan al fin
Sabiendo que mañana
No existirá el después

La última noche
El último error
Y ahora, solo queda el eco
De tu último adiós

A Última Noite

Contava os pintinhas das suas costas na penumbra
Sabendo que no dia seguinte tudo desmorona
A luz estava baixa, tímida, covarde
E eu te amava forte, pra que fosse tarde
Pra o fim
Pra o momento em que você não estiver mais aqui

Fizemos a promessa silenciosa de não falar
De evitar o assunto, de não perguntar
Queríamos congelar o momento, num ato de fé
Pra que a despedida não tivesse onde cair
E o silêncio ficou denso, pesado

Foi a última noite que sua pele foi minha casa
A última dose de você que minha alma ultrapassa
Beijei seu pescoço devagar, sabendo a verdade
Que essa lembrança vai me matar de solidão
Fomos dois fantasmas que se abraçam no fim
Sabendo que amanhã não vai existir o depois

Guardei o cheiro da sua camisa na memória
Pra ter algo pra queimar nessa fogueira, essa história
E a cidade lá fora seguia sua rotina
Enquanto nós morríamos na penumbra assassina
Seus dedos no meu cabelo eram uma âncora quebrada
E eu fingia não sentir a última gota

Se eu pudesse, voltaria a essa hora exata!
Pra contar os pintinhas, pra rasgar a ata
Me dá só um segundo a mais da sua boca na minha
Pra que a tristeza me doa menos no dia
No dia que você não está!

Foi a última noite que sua pele foi minha casa
A última dose de você que minha alma ultrapassa
Beijei seu pescoço devagar, sabendo a verdade
Que essa lembrança vai me matar de solidão
Fomos dois fantasmas que se abraçam no fim
Sabendo que amanhã
Não vai existir o depois

A última noite
O último erro
E agora, só resta o eco
Do seu último adeus

Composição: fcograntt