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De Tempo e Lida

Éder Goulart

Letra

    Orvalho prateado, umedece o pasto
    E branqueia a chapada de cerração
    Berrou o terneiro da vaca do leite
    Debaixo da quincha do velho galpão

    A geada castiga e judia do gado
    Secando o pasto, baixa a lotação.
    E o boi de marca, recém apartado.
    Campeia algum verde, dentro do capão.

    Aperto a cincha no clarear do dia
    E ato a presilha do meu camperear
    Se muda o tempo então muda o serviço
    Mais o compromisso não pode esperar

    Se chove mateio, ou lido com corda
    Remendo cabresto ou algum travessão
    E enquanto chove e enche os arroio
    Alimento minha alma, ponteando um violão

    Se chego nas casa é pra trocar cavalo
    Dou folga ao sebruno e encilho a bragada
    Tem vaca de cria e novilha amojada
    Com sol ou garoa estou na invernada

    A lida é eterna, só muda a tarefa
    Fazendo a bóia, varrendo o galpão
    Quebrar algum queixo e arrumar alambrado
    Atender da estância, minha obrigação


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