Um Cidadão Afamado
Ediglê Poeta
Menino eu fiz uma coisa
Que jamais vou esquecer
Se arrependimento matasse
Sei que eu ia morrer
Vou contar pra voz micê
Que nem ao menos sonha
O tamanho da vergonha
Que nem sei como dizer
Vinha eu passeando
Quando de longe avistei
Um cidadão na calçada
Eu logo o cumprimentei
De um ditado lembrei
Naquele caminho estreito
Se quiser mudar de vida
Peça emprego ao sujeito
Ele me estendeu a mão
Com uma enorme alegria
Cumprimentou minha esposa
Com muito mais simpatia
Perguntou como é que ia
Nossa vida de casado
Eu falei meio acanhado
Quase que a voz não saía
Eu estou desempregado
Passando até precisão
Seria muita bondade
Se o Senhor me desse à mão
Pois com muita animação
Sei também não esqueceu
Tudo o Senhor prometeu
Com bastante empolgação
Meu amigo nessa hora
O homem mudou de cor
Ficava branco e vermelho
Num instante ele murchou
Seu sorriso se fechou
E sua mão encolheu
Só não desapareceu
Mas sei que nisso pensou
Passou a mão na cabeça
Olhou para todo lado
Andou pra frente e pra trás
Bastante desesperado
Falou tudo enrolado
Que nem consegui ouvir
Confesso saí dali
Com um remorso danado
Me baixou uma tristeza
E um desgosto danado
Tanto por ter pedido
Quanto por ser negado
Pois jamais fui humilhado
Como naquela ocasião
Por a falta de atenção
De um cidadão afamado




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