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Ela frequentava a rua Pigalle

Édith Piaf

Elle fréquentait la rue Pigalle

Elle fréquentait la rue Pigalle
Elle sentait le vice à bon marché
Elle était toute noire de péchés
Avec un pauvre visage tout pâle
Pourtant y'avait dans le fond de ses yeux
Comme quelque chose de miraculeux
Qui semblait mettre un peu de ciel bleu
Dans celui tout sale de Pigalle.

Il lui avait dit: "Vous êtes belle."
Et d'habitude, dans ce quartier-là,
On dit jamais les choses comme ça
Aux filles qui font le même métier qu'elle;
Et comme elle voulait se confesser,
Il la couvrait toute de baisers,
En lui disant: "Laisse ton passé,
Moi, je vois qu'une chose, c'est que tu es belle."

Y'a des images qui vous tracassent;
Et quand elle sortait avec lui,
Depuis Barbès jusqu'à Clichy
Son passé lui faisait la grimace.
Et sur les trottoirs plein de souvenirs,
Elle voyait son amour se flétrir,
Alors, elle lui de manda de partir,
Et il l'emmena vers Montparnasse.

Elle croyait recommencer sa vie,
Mais c'est lui qui se mit à changer,
Il la regardait tout étonné,
Disant: "Je te croyais plus jolie,
Ici, le jour t'éclaire de trop,
On voit tes vices à fleur de peau,
Vaudrait peut-être mieux que tu retournes là-haut
Et qu'on reprenne chacun sa vie."

Elle est retournée dans son Pigalle,
Y'a plus personne pour la repêcher,
Elle a retrouvée tous ses péchés,
Ses coins d'ombre et ses trottoirs sales.
Mais quand elle voit des amoureux
Qui remontent la rue d'un air joyeux,
Y'a des larmes dans ses grands yeux bleus
Qui coulent le long de ses joues toutes pâles.

Ela frequentava a rua Pigalle

Ela frequentava a rua Pigalle
Ela sentia o vício a preço de banana
Ela estava toda cheia de pecados
Com um rosto pálido e tão triste
Mas havia no fundo dos seus olhos
Como algo de milagroso
Que parecia trazer um pouco de céu azul
Para aquele lugar sujo de Pigalle.

Ele disse pra ela: "Você é linda."
E normalmente, nesse bairro,
Nunca se diz essas coisas assim
Para as garotas que fazem o mesmo trabalho que ela;
E como ela queria se confessar,
Ele a cobria toda de beijos,
Dizendo: "Deixa seu passado pra lá,
Eu só vejo uma coisa, que você é linda."

Tem imagens que te atormentam;
E quando ela saía com ele,
Desde Barbès até Clichy
Seu passado fazia careta pra ela.
E nas calçadas cheias de lembranças,
Ela via seu amor murchar,
Então, ela pediu pra ele ir embora,
E ele a levou pra Montparnasse.

Ela achava que ia recomeçar a vida,
Mas foi ele quem começou a mudar,
Ele a olhava todo surpreso,
Dizendo: "Eu te achava mais bonita,
Aqui, a luz do dia te expõe demais,
Dá pra ver seus vícios à flor da pele,
Talvez seja melhor você voltar pra lá
E a gente retomar nossas vidas."

Ela voltou pro seu Pigalle,
Não tem mais ninguém pra salvá-la,
Ela reencontrou todos os seus pecados,
Seus cantos escuros e suas calçadas sujas.
Mas quando ela vê casais apaixonados
Subindo a rua com um ar feliz,
Lágrimas brotam de seus grandes olhos azuis
Que escorrem pelo seu rosto todo pálido.

Composição: Raymond Asso