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Audácia

Edmundo Rivero

Audacia

Me han contao, y perdóname
Que te increpe de este modo
Que la vas de partenaire en no sé qué bataclán
Que has rodao como potranca que la pechan en el codo
Engrupida bien debute por la charla de un bacán

Yo no manyo francamente lo que es una partenaire
Aunque batan que soy bruto y atrasado, qué querés
No debe ser nada bueno, si hay que andar con todo al aire
Y en vez de batirlo en criollo, te lo baten en francés

Me han contado y este fato, qué querés, me desconsuela
Pues viene de los muchachos que te han visto trabajar
Que salís con otras minas a llenar la pasarela y a cantar
Si lo que hacen se puede llamar cantar

Vos que no tenés oído ni para el Arroz con Leche
Que mandabas La Morocha como número de atracción
Quién te viera tan escasa de vergüenza y de peleche
Emprenderla a los berridos cuando suena el charlestón

Te cambiaron, pobre mina
Si tu vieja, la finada
Levantara la cabeza desde el fondo del cajón
Y te viera en esa huella tan audaz y descocada
Se moría nuevamente de dolor e indignación

Vos, aquella muchachita a quien ella santamente
Educó tan calladita, tan humilde, tan formal
Te cambiaron, pobre mina
Te engrupieron tontamente
Bullanguera mascarita de un mistongo carnaval

Audácia

Me contaram, e me perdoa
Que eu te chamei assim
Que você tá de parceira em sei lá qual bagunça
Que você rodou como uma potranca que a empurram no cotovelo
Enganada bem direitinho pela conversa de um cara legal

Eu não entendo, sinceramente, o que é uma parceira
Embora digam que sou burro e atrasado, o que você quer
Não deve ser nada bom, se tem que andar com tudo à mostra
E em vez de falar em português, você fala em francês

Me contaram e esse fato, o que você quer, me desanima
Pois vem dos caras que te viram trabalhar
Que você sai com outras minas pra encher a passarela e cantar
Se o que fazem pode ser chamado de cantar

Você que não tem ouvido nem pra Arroz com Leite
Que mandava A Morocha como número de atração
Quem te viu tão sem vergonha e sem pudor
Gritando quando toca o charlestão

Te mudaram, coitada
Se sua mãe, a finada
Levantasse a cabeça do fundo do caixão
E te visse nessa pegada tão audaciosa e sem vergonha
Ela morreria de novo de dor e indignação

Você, aquela menininha que ela educou tão direitinho
Tão quietinha, tão humilde, tão formal
Te mudaram, coitada
Te enganaram de forma boba
Festeira, mascarada de um carnaval qualquer

Composição: Cele, Hugo La Rocca