395px

Quando a pobreza entra pela porta, o amor sai pela janela

El Último de la Fila

Cuando la pobreza entra por la puerta, el amor salta por la ventana

Bendeciré
Sexta planta, puerta C
En el ascensor
Mi vecinita huele bien

La pobreza entra por la puerta
El amor salta por la ventana
Doña Foca va a la compra en zapatillas
Hogar, comida y una cama

Niños hambrientos
El abuelo nos dejó
Ya no me besas nunca
Ya no me amas
Cómo voy a besarte
Gorda y con bata

En las paredes
Estampas de la comunión
Jaulas con pájaros
Y una foto de mamá

Otra vez sopa
Caldo de sobre: Sopicrem
Tristes galletas
Del enano Cartiplan

La pobreza entra por la puerta
El amor salta por la ventana
Don Zapato lee el diario en el lavabo
Su mujer se llama Amparo

Comida para perros
Con vitaminas mil
En la bodega dicen
Que no hay derecho
Con tanta celulitis
No es raro que si

La rutina entra por la puerta
El amor salte por la ventana
Doña Foca es una loca peligrosa
Tiene un pato en una palangana

La pobreza entra por la puerta
El amor salta por la ventana
Don zapato es un vejete espabilado
Se pasa el día en la cama

La pobreza entra por la puerta
El amor salta por la ventana
Doña Foca es una loca peligrosa
Tiene un pato en una palangana

Las gallinas picotean la basura
Celia es tan pequeña
Y siempre pide arroz
El protector de los pobres
Algún juguete le dio

Su padre la vio nacer
Sobre paja y cartón
Casas con techo de latón
Y suelos de barro

Manchas grotescas de humedad
Por las goteras
Perros y niños bajo un chaparrón
Ventanas sin cristal, entra el vendaval

Quando a pobreza entra pela porta, o amor sai pela janela

Vou benzer
Sexto andar, porta C
No elevador
Minha vizinha cheira bem

A pobreza entra pela porta
O amor sai pela janela
Dona Foca vai às compras de chinelo
Lar, comida e uma cama

Crianças famintas
O vovô nos deixou
Você nunca mais me beija
Você não me ama mais
Como vou te beijar
Gorda e de roupão

Nas paredes
Imagens da comunhão
Gaiolas com passarinhos
E uma foto da mamãe

De novo sopa
Caldo de pacote: Sopicrem
Biscoitos tristes
Do anão Cartiplan

A pobreza entra pela porta
O amor sai pela janela
Seu Zapato lê o jornal no banheiro
A mulher dele se chama Amparo

Comida para cães
Com mil vitaminas
Na despensa dizem
Que não é justo
Com tanta celulite
Não é de se estranhar

A rotina entra pela porta
O amor sai pela janela
Dona Foca é uma louca perigosa
Tem um pato numa bacia

A pobreza entra pela porta
O amor sai pela janela
Seu Zapato é um velho esperto
Passa o dia na cama

A pobreza entra pela porta
O amor sai pela janela
Dona Foca é uma louca perigosa
Tem um pato numa bacia

As galinhas ciscam no lixo
Celia é tão pequena
E sempre pede arroz
O protetor dos pobres
Deu algum brinquedo pra ela

O pai a viu nascer
Sobre palha e papelão
Casas com telhado de lata
E chão de barro

Manchas grotescas de umidade
Por causa das goteiras
Cães e crianças sob a chuva
Janelas sem vidro, entra o vento forte

Composição: Manolo Garcia, Quimi Portet