Exibições da letra 20

Herança de Luta

Elias X

Letra

    Yeah
    Cês acham que acabou?
    Isso aqui é memória viva, sangue quente
    Escuta o som dos ancestrais

    Apagaram as linhas da nossa história
    Queimaram os livros, rasgaram a glória
    Mas cê não apaga o grito da memória
    O navio negreiro ainda ecoa na vitória

    Vieram acorrentados, mas nunca calados
    Na senzala, o olhar já falava alto
    O tambor pulsava como resistência
    Na dança, na fé, na sobrevivência

    Trabalharam o chão, colheram o açoite
    Foram aço, coragem, pra enfrentar a noite
    E mesmo hoje, o sistema repete
    Disfarça a corrente, mas ela aperta a mente

    Favela resiste, periferia persiste
    Mas a elite assiste e finge que é triste
    Do chicote ao salário mínimo, é tudo racismo
    Pobreza tem cor, cês negam o abismo!

    É luta! É grito! É chama no peito!
    Somos o povo que não se cala no leito
    É sangue, é suor, é raça, é fé
    Se o passado foi dor, o presente é de pé!

    Quantos morreram no chão do engenho
    Quantos sonharam com um novo desenho
    Quantos fugiram, quantos tombaram
    Quantos Palmares ergueram, lutaram?

    Zumbi na frente com espada no punho
    A coroa treme quando a favela se une!
    Não foi favor, foi guerra vencida
    Cada direito tem sangue na trilha!

    E hoje o povo corre atrás do pão
    Mas ainda sente o peso da opressão
    Preto na mira, pobre na esquina
    A lei é dura quando é pra periferia

    Educação negada, saúde escassa
    Mas tamo vencendo com força e raça!
    Levanta a cabeça, irmão, se olha no espelho
    Cê carrega a força de um povo inteiro!

    É luta! É grito! É chama no peito!
    Somos o povo que não se cala no leito
    É sangue, é suor, é raça, é fé
    Se o passado foi dor, o presente é de pé!

    Salve os guerreiros que abriram caminho
    Heróis do gueto, nunca tão sozinhos
    Zumbi dos Palmares, Dandara rainha
    Luísa Mahin com a chama que inflama

    André Rebouças, o engenheiro sonhador
    Clóvis Moura com sua escrita de dor
    Carolina Maria de Jesus na favela
    Fez poesia da fome e da panela

    Malcolm X com punho erguido
    Mandela livre, sem jamais ter fugido
    Martin Luther King, sonho na mente
    E Mano Brown, o poeta consciente

    Não esqueceremos, não recuaremos
    Se for preciso, de novo lutaremos
    Porque a história não é só de opressão
    É de coragem, orgulho e superação


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