Le Silence Entre Deux Chansons
Le vieux rideau du Café Noir
Le vieux rideau du Café Noir
Bougeait doucement dans le soir
Les verres vides sur le piano
Brillaient près du vieux comptoir
Les derniers clients fatigués
Parlaient sans vraiment se regarder
Et la fumée contre les murs
Flottait dans l'air un peu obscur
Une chanson venait de finir
Dans un silence difficile
Quelques secondes suspendues
Avant le retour des voix
Le silence entre deux chansons
Reste plus fort que les sons
Comme un battement invisible
Dans les nuits sensibles
Le silence entre deux chansons
Glisse encore dans les salons
Et les lumières des cafés
Tremblent sans vraiment parler
Tu regardais la pluie tomber
Derrière les vitres embuées
Le reflet pâle de tes mains
Bougeait lentement sur le zinc
Un serveur rangeait les chaises
Sous les néons couleur braise
Et les tramways du boulevard
Traînaient leurs lumières dans le noir
Minuit passait dans la salle
Avec son parfum de fatigue
Et les derniers accords du bar
S'éteignaient dans le brouillard
Le silence entre deux chansons
Traverse encore les saisons
Comme un vertige magnifique
Sous les lumières électriques
Le silence entre deux chansons
Habite les vieux plafonds
Et les fumées du matin
Gardent l'ombre de ton parfum
Plus de voix contre les murs
Seulement le bruit des voitures
Et cette seconde un peu vide
Qui ressemble à notre histoire
Le silence entre deux chansons
Tombe encore sur les néons
Quand les premiers métros gris
Traversent les rues de pluie
Le silence entre deux chansons
Reste vivant dans le vent
Comme une dernière mesure
Qui refuse de disparaître
Le silence entre deux chansons
O Silêncio Entre Duas Canções
A velha cortina do Café Noir
A velha cortina do Café Noir
Movia-se suavemente na noite
Os copos vazios sobre o piano
Brilhavam perto do velho balcão
Os últimos clientes cansados
Falavam sem realmente se olhar
E a fumaça contra as paredes
Flutuava no ar um pouco escuro
Uma canção acabava de terminar
Num silêncio difícil
Alguns segundos suspensos
Antes do retorno das vozes
O silêncio entre duas canções
É mais forte que os sons
Como um batimento invisível
Nas noites sensíveis
O silêncio entre duas canções
Desliza ainda pelos salões
E as luzes dos cafés
Tremem sem realmente falar
Você olhava a chuva cair
Atrás das janelas embaçadas
O reflexo pálido das suas mãos
Movia-se lentamente sobre o balcão
Um garçom arrumava as cadeiras
Sob os néons cor de brasa
E os bondes da avenida
Arrastavam suas luzes no escuro
A meia-noite passava na sala
Com seu perfume de cansaço
E os últimos acordes do bar
Se apagavam na névoa
O silêncio entre duas canções
Atravessa ainda as estações
Como um vertigem magnífico
Sob as luzes elétricas
O silêncio entre duas canções
Habita os velhos tetos
E as fumaças da manhã
Guardam a sombra do seu perfume
Sem mais vozes contra as paredes
Apenas o barulho dos carros
E esse segundo um pouco vazio
Que se parece com nossa história
O silêncio entre duas canções
Cai ainda sobre os néons
Quando os primeiros metrôs cinzas
Atravessam as ruas de chuva
O silêncio entre duas canções
Permanece vivo no vento
Como uma última medida
Que se recusa a desaparecer
O silêncio entre duas canções