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As Flores Sob os Paralelepípedos

Élise Noiret

Les Fleurs Sous les Pavés

Les pavés gardaient le froid
Sous les pas des anciens soirs
Les vitrines du quartier gris
S'éteignaient d'après minuit

Les journaux trempés de pluie
Tournaient le long des ruelles vides
Et les murs près des cafés
Portaient des affiches fanées

Le violon du vieux passage
Montait doucement dans l'orage
Pendant que les néons pâles
Tremblaient sur les flaques sales

Les fleurs sous les pavés
Brillaient encore cachées
Comme une lumière fragile
Dans les saisons difficiles

Les fleurs sous les pavés
Glissent encore dans les allées
Et les fenêtres du matin
Gardent la chaleur des mains

Ta silhouette au col de laine
Passait sous les rues anciennes
Les lettres oubliées sur bois
Dormaient près du vieux sofa

Un vendeur parlait très bas
Sous les hauts vents du cinéma
Et les tramways du boulevard
Traînaient leur lumière dans le noir

L'horloge avançait lentement
Vers le silence du temps
Mais les reflets sur le goudron
Brillaient encore sous les lampions

Les fleurs sous les pavés
Traversent encore les années
Comme un vertige magnifique
Sous les enseignes mélancoliques

Les fleurs sous les pavés
Habitent les rues fatiguées
Et les rideaux du matin
Gardent le parfum du jasmin

Une photo contre un livre
Quelques roses dans le vide
Le parfum discret du départ
Et les lumières du boulevard

Les fleurs sous les pavés
Descendent encore sur les quais
Quand les premiers métros gris
Traversent les rues de pluie

Les fleurs sous les pavés
Restent vivantes dans mes pensées
Et je retrouve ton sourire
Dans les couleurs du souvenir

As Flores Sob os Paralelepípedos

Os paralelepípedos guardavam o frio
Sob os passos das noites passadas
As vitrines do bairro cinza
Se apagavam depois da meia-noite

Os jornais encharcados de chuva
Rodavam pelas vielas vazias
E as paredes perto dos cafés
Carregavam cartazes desbotados

O violino do velho corredor
Subia suavemente na tempestade
Enquanto os néons pálidos
Tremiam nas poças sujas

As flores sob os paralelepípedos
Brilhavam ainda escondidas
Como uma luz frágil
Nas estações difíceis

As flores sob os paralelepípedos
Deslizavam ainda pelos caminhos
E as janelas da manhã
Guardavam o calor das mãos

Sua silhueta com o colar de lã
Passava sob as ruas antigas
As cartas esquecidas na madeira
Dormiam perto do velho sofá

Um vendedor falava bem baixo
Sob os ventos fortes do cinema
E os bondes da avenida
Arrastavam sua luz na escuridão

O relógio avançava lentamente
Rumo ao silêncio do tempo
Mas os reflexos no asfalto
Brilhavam ainda sob os lampiões

As flores sob os paralelepípedos
Atravessam ainda os anos
Como uma vertigem magnífica
Sob as placas melancólicas

As flores sob os paralelepípedos
Habitam as ruas cansadas
E as cortinas da manhã
Guardam o perfume do jasmim

Uma foto contra um livro
Algumas rosas no vazio
O perfume discreto da partida
E as luzes da avenida

As flores sob os paralelepípedos
Descem ainda pelos cais
Quando os primeiros metrôs cinzas
Atravessam as ruas de chuva

As flores sob os paralelepípedos
Permanecem vivas em meus pensamentos
E eu encontro seu sorriso
Nas cores da lembrança