No Tornaràs
Les formigues que viuen sota la nevera,
Aquell pany de la porta que s´ha d´apariar,
Un tros de llonganissa que no era tan seca
I l´avís de correus que sempre arriba tard.
Flors de plàstic marcides, antigues llibretes,
La llum quieta i vermella del contestador,
Una vella faldilla que t´anava estreta
I fa més de vint dies que penja al balcó.
La torreta on plantàvem maria
I per dissimular
Un brot de camamilla,
Ara dorm avorrida
Plena de burilles
Que no cal regar.
No tornaràs.
No tornaràs.
No tornaràs.
Calaixets plens de fotos cruels que ens delaten,
Aquell pòster d´holanda que s´ha d´emmarcar,
Una tapa de wàter que és sempre aixecada
I la pasta de dents seca i sense tapar.
Llibres vells plens de dedicatòries
Que ara fan tan de mal,
Mitjons bruts o pitjor,
Que han perdut la parella
I de pas amb ella
Tota utilitat.
No tornaràs.
No tornaràs.
No tornaràs.
Você Não Volta
As formigas que vivem debaixo da geladeira,
Aquela fechadura da porta que precisa ser consertada,
Um pedaço de linguiça que não estava tão seca
E o aviso do correio que sempre chega atrasado.
Flores de plástico murchas, cadernos antigos,
A luz parada e vermelha do gravador,
Uma saia velha que te servia apertada
E já faz mais de vinte dias que tá pendurada na sacada.
A torre onde plantávamos maconha
E pra disfarçar
Um broto de camomila,
Agora dorme entediada
Cheia de bitucas
Que não precisa regar.
Você não volta.
Você não volta.
Você não volta.
Caixinha cheia de fotos cruéis que nos entregam,
Aquele pôster da Holanda que precisa ser emoldurado,
Uma tampa de vaso que tá sempre levantada
E a pasta de dente seca e sem tampa.
Livros velhos cheios de dedicatórias
Que agora fazem tanto mal,
Meias sujas ou pior,
Que perderam a par
E de quebra com elas
Toda utilidade.
Você não volta.
Você não volta.
Você não volta.