Soneto do Tempo Que Espera

Elton Domingues Ferreira

Não te chamo, mas fico na varanda
Onde o vento conhece o teu silêncio
Há um amor que não pede presença
Só vigia, discreto, enquanto anda

Aprendi que o querer também se abranda
Quando entende o valor do intervalo
Há desejos que crescem no intervalo
Como a Lua que cresce quando manda

Não te prendo, e por isso te aproximo
Pois só fica quem cabe na vontade
E só arde o que aceita o próprio ritmo

Se um dia o tempo abrir sua cidade
Estarei onde sempre me confino
No lugar onde a espera é lealdade


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