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Ancorado em Paris

Enrique Cadícamo

Anclao en París

Tirao por la vida de errante bohemio
estoy, Buenos Aires, anclao en París.
Cubierto de males, bandeado de apremio,
te evoco desde este lejano país.
Contemplo la nieve que cae blandamente
desde mi ventana, que da al bulevar
las luces rojizas, con tono muriente,
parecen pupilas de extraño mirar.

Lejano Buenos Aires ¡qué lindo que has de estar!
Ya van para diez años que me viste zarpar...
Aquí, en este Montmartre, fobourg sentimental,
yo siento que el recuerdo me clava su puñal.

¡Cómo habrá cambiado tu calle Corrientes..!
¡Suipacha, Esmeralda, tu mismo arrabal..!
Alguien me ha contado que estás floreciente
y un juego de calles se da en diagonal...
¡No sabes las ganas que tengo de verte!
Aquí estoy varado, sin plata y sin fe...
¡Quién sabe una noche me encane la muerte
y, chau Buenos Aires, no te vuelva a ver!

Ancorado em Paris

Tirado pela vida de errante boêmio
estou, Buenos Aires, ancorado em Paris.
Coberto de males, cercado de pressa,
te evoco desde este distante país.
Contemplo a neve que cai suavemente
da minha janela, que dá pro bulevar
as luzes avermelhadas, com tom moribundo,
parecem pupilas de olhar estranho.

Distante Buenos Aires, como você deve estar!
Já vão quase dez anos que me viu zarpar...
Aqui, neste Montmartre, subúrbio sentimental,
eu sinto que a lembrança me crava seu punhal.

Como deve ter mudado sua rua Corrientes...!
Suipacha, Esmeralda, seu mesmo arrabal...
Alguém me contou que você está florescendo
e um jogo de ruas se dá em diagonal...
Você não sabe a vontade que tenho de te ver!
Aqui estou encalhado, sem grana e sem fé...
Quem sabe uma noite a morte me pegue
e, tchau Buenos Aires, não te veja mais!

Composição: Enrique Cadícamo