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Café de Barracas (Não)

Enrique Cadícamo

Café de Barracas (No)

Viejo café de Barracas,
turbios recuerdos de entonces,
que allá por el año once
tenía entreveros de facas...
Hoy has cambiado tu pinta,
todo es nostalgia y neblina,
ya no es muchachos de esquina
la del Café El Pasatiempo,
cuando tocaba en sus tiempos
el Tigre del Bandoneón.

Tu luz de gas, hoy, tan distante,
no alumbra más, café cantante...
Lupe cantaba canciones bellas,
Lupe era estrella de aquel café.
Tu luz de gas ya no destella
Ni alumbra más la escena aquella,
cuando una noche, de puro guapo,
la alcé en un coche y la robé.

Sacarle punta a un recuerdo
es regresar del olvido...
¡Cuantos amigos se han ido;
de todos ellos me acuerdo!
Ya nos perdimos de vista,
viejo café de Barracas,
siento tus luces opacas
y hoy tiemblan dentro 'e mi pecho...
¡Yo soy tu amigo derecho
que no te olvido jamás!

Café de Barracas (Não)

Velho café de Barracas,
lembranças turvas de outrora,
que lá pelo ano onze
tinha brigas de faca...
Hoje você mudou de cara,
tudo é nostalgia e neblina,
já não é mais molecada de esquina
a do Café El Pasatiempo,
quando tocava em seus tempos
o Tigre do Bandoneón.

Sua luz de gás, hoje, tão distante,
não ilumina mais, café cantor...
Lupe cantava canções lindas,
Lupe era a estrela daquele café.
Sua luz de gás já não brilha
Nem ilumina mais aquela cena,
quando uma noite, de tão ousado,
eu a coloquei num carro e a roubei.

Aperfeiçoar uma lembrança
é voltar do esquecimento...
Quantos amigos se foram;
de todos eles eu me lembro!
Já nos perdemos de vista,
velho café de Barracas,
sinto suas luzes apagadas
e hoje tremem dentro do meu peito...
Eu sou seu amigo de verdade
que nunca te esquece!

Composição: Enrique Cadícamo