Calandria (Dejá el bodegón)
Dejá esa copa de vino
si sos un hombre bien derecho
por más que te hayan hecho
no te debés arrumbar...
Ahí tirao como un retazo
en esa turbia cantina
solo te espera la ruina,
vení haceme caso... ¡Te quiero salvar!...
Calandria,
¿por qué estás triste?
Muchacho,
¿por qué llorás?
Ya tu guitarra guardó sus voces
y allá en un clavo colgada está...
Calandria,
tu viejo patio
se apena
por tu dolor...
y hasta las flores del conventillo
palidecieron de un vago langor...
Dejá esa copa de vino
y hacete un hombre, que la vida
no la tendrás perdida
si aún te queda corazón...
Olvidate de esa ingrata,
si ella nunca te ha querido
hacé de nuevo tu nido,
vení, hacema caso... ¡dejá el bodegón!
Calandria (Deixe o boteco)
Deixa essa taça de vinho
se você é um homem de verdade
por mais que tenham feito
não deve se deixar levar...
Aí jogado como um trapo
nessa cantina turva
só te espera a ruína,
vem, me escuta... Quero te salvar!...
Calandria,
por que você está triste?
Rapaz,
por que você chora?
Sua guitarra já guardou suas vozes
e lá em um prego está pendurada...
Calandria,
seu velho pátio
está triste
por sua dor...
e até as flores do cortiço
pálidas ficaram de um vago cansaço...
Deixa essa taça de vinho
e se torne um homem, que a vida
não estará perdida
se ainda te resta coração...
Esqueça essa ingrata,
se ela nunca te quis
faça seu ninho de novo,
vem, me escuta... deixa o boteco!
Composição: Enrique Cadícamo