Callejera
Cuando apurada pasás
rumbo quién sabe a qué parte,
haciendo lucir con arte
tu silueta al caminar,
va diciendo ese taquear
que tenés de milonguera:
"Callejera... Calle]era...
¿a dónde irás a parar?"
Esos trajes que empilchás
no concuerdan con tu cuna,
pobre mina pelandruna
hecha de seda y percal.
En fina copa e' cristal
hoy tomás ricos licores,
y entre tantos resplandores
se encandiló tu arrabal.
Callejera,
que taqueás de Sur a Norte,
dando dique con el corte
de ese empilche que llevás.
Callejera,
vos también sos Milonguita
y en el fondo de tu almita
una pena sepultás.
Triunfa tu gracia, yo sé,
y en los fondines nocheros
sos de los muebles diqueros
el que da más relumbrón.
Despilfarrás tentación,
pero también, callejera,
cuando estés vieja y fulera
tendrás muerto el corazón.
Seguí nomás, deslizá
tus abriles por la vida,
fascinada y engrupida
por las luces del Pigall,
que cuando empiece a tallar
el invierno de tu vida
notarás arrepentida
que has vivido un carnaval.
Callejera
Quando apressada você passa
rumo a quem sabe onde,
fazendo brilhar com arte
a sua silhueta ao andar,
vai dizendo esse toque
que você tem de milongueira:
"Callejera... Callejera...
aonde você vai parar?"
Esses trajes que você usa
não combinam com sua origem,
coitada da mina pelandruna
feita de seda e percal.
Em fina taça de cristal
oh, você toma licores ricos,
e entre tantos brilhos
a sua origem se ofuscou.
Callejera,
que dança de Sul a Norte,
dando um toque com o corte
desse traje que você usa.
Callejera,
você também é Milonguita
e no fundo da sua alma
uma dor você sepulta.
Triunfa sua graça, eu sei,
e nos bares noturnos
você é dos móveis de destaque
a que brilha mais.
Desperdiça tentação,
mas também, callejera,
quando você estiver velha e acabada
tendrá o coração morto.
Continue assim, deslize
tuas primaveras pela vida,
fascinada e enganada
pelas luzes do Pigall,
que quando começar a pesar
o inverno da sua vida
você vai notar arrependida
que viveu um carnaval.