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Cem anos

Enrique Cadícamo

Cien años

(recitado)
Tronco añoso,
tu corteza muestra altiva,
como fieras cicatrices,
los grabados de cien tajos,
de iniciales y de dobles corazones,
que sangrando los llevaban
las palomas en sus picos.

Viejo ombú que estás soñando
como un abuelo olvidado,
todo un glorioso pasado,
acaso estas recordando
con tus raíces viboreando
y tu copa está vencida,
sos como un resto de vida
que a la muerte esta esperando.

Bajo tu sombra sestearon
los matreros perseguidos,
y los pájaros sus nidos
en tus ramasje colgaron.
Junto a vos se desafiaron
Santos Vega y Juan Sin Ropa,
y en lo mas alto 'e tu copa
las estrellas se enredaron.

(recitado)
Cuántas veces el terrible
pulmonazo del Pampero
te arreció pa' voltearte los nidales,
donde el ave puso el beso,
puso el pial de sus amores
y sus cánticos de sol.

Ombú que fuiste florido
como el alero de un rancho,
hoy te saluda el carancho
con un fúnebre chillido.
Por tu esqueleto aterido
el viento pasa llorando,
cien años vas aguantando,
mi viejo ombú carcomido.

Cem anos

(recitado)
Tronco envelhecido,
sua casca mostra altiva,
como feridas ferozes,
os cortes de cem marcas,
de iniciais e de corações duplos,
que sangrando levavam
as pombas em seus bicos.

Velho ombú que está sonhando
como um avô esquecido,
todo um glorioso passado,
será que você está lembrando
com suas raízes se contorcendo
e sua copa já vencida,
você é como um resto de vida
que está esperando a morte.

Sob sua sombra descansaram
os peões perseguidos,
e os pássaros seus ninhos
em seus galhos penduraram.
Junto a você se desafiaram
Santos Vega e Juan Sem Roupa,
e no mais alto da sua copa
as estrelas se enredaram.

(recitado)
Quantas vezes o terrível
ventania do Pampero
te atingiu pra derrubar os ninhos,
de onde o pássaro deu o beijo,
deixou o laço de seus amores
e seus cantos de sol.

Ombú que foi florido
como o beiral de um rancho,
hoje te saúda o carancho
com um grito fúnebre.
Por seu esqueleto gelado
o vento passa chorando,
cem anos você vai aguentando,
meu velho ombú carcomido.

Composição: Enrique Cadícamo