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Nunca teve namorado

Enrique Cadícamo

Nunca tuvo novio

Pobre solterona te has quedado
sin ilusión, sin fe...
Tu corazón de angustias se ha enfermado,
puesta de sol es hoy tu vida trunca.
Sigues como entonces, releyendo
el novelón sentimental,
en el que una niña aguarda en vano
consumida por un mal de amor.

En la soledad
de tu pieza de soltera está el dolor.
Triste realidad
es el fin de tu jornada sin amor...
Lloras y al llorar
van las lágrimas temblando tu emoción;
en las hojas de tu viejo novelón
te ves sin fuerza palpitar.
Deja de llorar
por el príncipe soñado que no fue
junto a ti a volcar
el rimero melodioso de su voz.
Tras el ventanal,
mientras pega la llovizna en el cristal
con tus ojos más nublados de dolor
soñás un paisaje de amor.

Nunca tuvo novio, ¡pobrecita!
¿Por qué el amor no fue
a su jardin humilde de muchacha
a reanimar las flores de sus años?.
¡Yo, con mi montón de desengaños
igual que vos, vivo sin luz,
sin una caricia venturosa
que haga olvidar mi cruz!

Nunca teve namorado

Pobre solteirona, você ficou
sem ilusão, sem fé...
Seu coração de angústias se adoeceu,
hoje sua vida truncada é um pôr do sol.
Você continua como antes, relendo
o novelão sentimental,
no qual uma menina espera em vão
consumida por um mal de amor.

Na solidão
do seu quarto de solteira está a dor.
Triste realidade
é o fim da sua jornada sem amor...
Você chora e ao chorar
as lágrimas tremem sua emoção;
nas páginas do seu velho novelão
você se vê sem forças para pulsar.
Pare de chorar
pelo príncipe sonhado que não veio
junto a você para derramar
a melodia doce de sua voz.
Atrás da janela,
enquanto a garoa bate no vidro
com seus olhos mais nublados de dor
deseja uma paisagem de amor.

Nunca teve namorado, pobrezinha!
Por que o amor não foi
a seu humilde jardim de menina
a reanimar as flores de seus anos?
Eu, com meu monte de desenganos
igual a você, vivo sem luz,
sin uma carícia feliz
que faça esquecer minha cruz!

Composição: Enrique Cadícamo / Agustín Bardi