Tres Esquinas
Yo soy del barrio de tres esquinas,
Viejo baluarte de un arrabal
Donde florecen como glicinas
Las lindas pibas de delantal.
Donde en la noche tibia y serena
Su antiguo aroma vuelca el malvón
Y bajo el cielo de luna llena
Duermen las chatas del corralón.
Soy de ese barrio de humilde rango,
Yo soy el tango sentimental.
Soy de ese barrio que toma mate
Bajo la sombra que da el parrral.
En sus ochavas compadrié de mozo,
Tiré la daga por un loco amor,
Quemé en los ojos de una maleva
La ardiente ceba de mi pasión.
Nada hay más lindo ni más cmpadre
Que mi suburbio murmurador,
Con los chimentos de las comadres
Y los piropos del picaflor.
Vieja barriada que fue estandarte
De mis arrojos de juventud...
Yo soy del barrio que vive aparte
En este siglo de neo-lux.
Três Esquinas
Eu sou do bairro das três esquinas,
Velho bastião de um subúrbio
Onde florescem como glicínias
As lindas garotas de avental.
Onde na noite morna e serena
Seu antigo aroma exala o gerânio
E sob o céu de lua cheia
Dormem as carretas do galpão.
Sou desse bairro de humilde classe,
Eu sou o tango sentimental.
Sou desse bairro que toma mate
Sob a sombra que dá a parreira.
Nas suas esquinas fiz amizade de garçom,
Joguei a faca por um amor doido,
Queimei nos olhos de uma malandra
A ardente isca da minha paixão.
Nada há mais lindo nem mais camarada
Que meu subúrbio falador,
Com os babados das comadres
E os elogios do picaflor.
Velha comunidade que foi estandarte
Dos meus ímpetos de juventude...
Eu sou do bairro que vive à parte
Neste século de neo-lux.