Hambre
Andá a hacerle el cuento a otra, que conmigo has terminado.
¿Qué te crees, que porque aguanto estoy en liquidación?
Voy a darte vacaciones por tiempo indeterminado,
pa' que otra vez no confundas gordura con hinchazón.
Ya me tenés requeteharta con tanto grupo en almíbar,
me has hecho bajar seis kilos de un solo saque, ¡traidor!
Vos me hacés ver la comida con catalejo'e marina
y después andas diciendo que estoy flaca por amor.
Che, fresco de Goya,
rey del apoliyo,
sacudí el altillo
y andá a trabajar.
Laburá de guarda,
hacete pequero,
chafe, pistolero,
o mozo de bar.
¡Basta de vigilias,
se acabó el aguante!
¡Perdona el espiante
yo quiero vivir!
No ves que parezco
un cacho de alambre,
que te aguante el hambre
la mujer fakir.
(recitado)
Así la percanta Rosa, de su suerte se quejaba,
cuando hizo su inesperada entrada el garabo Juan.
Éste, al sentir que había bronca quiso rajar de la fiera,
¡el pobre! por vez primera, trae una tira de asao.
Tu tranquilidad pasmosa es lo que más me subleva,
vos no te hacés mala sangre de campanear como voy.
Me tenés en el trapecio de la vida haciendo pruebas,
¿soy tu mujer, soy un bulto? Al final, ¿qué es lo que soy?
No quiero correr más liebres, mi independencia ha llegado.
Te dejo un ramo de olivos y que seas muy feliz.
No vaya a ser todavía que por quedarme a tu lado,
de ayunar tan a menudo se me piante hasta el chasis.
(recitado)
La percanta hecha una fiera lo encaró sin grupo al rana,
él le batió un disparate y ella, apuntándole al mate,
le tiró una palangana.
Era tan grande la bronca que vino hasta el encargado.
Ella estaba tan resuelta que el garabo vio la puerta
y se fue desesperado.
Fome
Vai contar a história pra outra, que comigo você já era.
O que você pensa, que só porque eu aguento estou em liquidação?
Vou te dar férias por tempo indeterminado,
pra você não confundir gordura com inchaço de novo.
Já tô de saco cheio com tanto grupo meloso,
me fez perder seis quilos de uma vez, traidor!
Você me faz ver a comida com um telescópio,
e depois fica dizendo que tô magra por amor.
Ei, fresco de Goya,
rei do relaxo,
dá uma sacudida
e vai trabalhar.
Trabalha de segurança,
faz um bico,
se vira, pistoleiro,
ou garçom de bar.
Chega de vigílias,
acabou a paciência!
Desculpa a insistência,
eu quero viver!
Não vê que pareço
um pedaço de arame,
que aguente a fome
essa mulher fakir.
(recitado)
Assim a moça Rosa, da sua sorte se queixava,
quando fez sua entrada inesperada o tal Juan.
Esse, ao sentir que tinha confusão, quis sair correndo,
o pobre! pela primeira vez, trouxe uma tira de carne.
Sua tranquilidade absurda é o que mais me irrita,
você não se preocupa em ver como eu tô.
Me tem no trapézio da vida fazendo malabarismo,
Sou sua mulher, sou um peso? No final, o que sou?
Não quero mais correr atrás, minha independência chegou.
Te deixo um ramo de oliveiras e que você seja feliz.
Não vá achar que por ficar ao seu lado,
de jejuar tanto assim eu acabe perdendo até o juízo.
(recitado)
A moça, feita uma fera, encarou sem grupo o sapo,
ele soltou uma besteira e ela, mirando o mate,
lhe jogou uma bacia.
Era tanta raiva que até o responsável veio ver.
Ela estava tão decidida que o tal viu a porta
e saiu desesperado.
Composição: Enrique Cadícamo / Juan Carlos Cobian