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Fumaça

Enrique Cadícamo

Humo

Ronda gris...
Fantasma de humo que me obseden al fumar,
mientras voy
haciendo anillos
con humo azul de cigarrillo...
Espiral
que se retuerce en mi angustiosa soledad
y envuelve la noche negra
de mi mal.

Humo es recordar...
Humo es lo de ayer...
Humo es el Amor
que se quedó sin resolver...
Todo... todo...
sombra al fin...
Humo es el vivir...
Humo es el llorar...
Humo es el reír...
Niebla y nada más...
Sedas y trapos...
Todo es humo gris.

Cuando esté
debajo tierra, mudo y frío, muerto al fin...
Cuando ya
no tenga un beso
sólo sea un montón de huesos...
Humo gris
de caprichosas espirales yo seré...
La vida...
Voluta de humo que se va...

Fumaça

Ronda cinza...
Fantasma de fumaça que me persegue ao fumar,
enquanto vou
fazendo anéis
com a fumaça azul do cigarro...
Espiral
que se retorce na minha angustiante solidão
e envolve a noite escura
do meu mal.

Fumaça é lembrar...
Fumaça é o que foi ontem...
Fumaça é o Amor
que ficou sem solução...
Tudo... tudo...
sombra no fim...
Fumaça é viver...
Fumaça é chorar...
Fumaça é rir...
Névoa e nada mais...
Sedas e trapos...
Tudo é fumaça cinza.

Quando eu estiver
debaixo da terra, mudo e frio, morto enfim...
Quando já
não tiver um beijo
só seja um monte de ossos...
Fumaça cinza
de espirais caprichosas eu serei...
A vida...
Voluta de fumaça que se vai...

Composição: Enrique Cadícamo / Enrique Munné