Cobrate Y Dame El Vuelto
Lo que pasa muy seguido
Entre marido y mujer,
Por no decir entre "novios"
Que ya no se pueden ver.
Mira ñata: es necesario que hablemos como es debido,
Porque ya estoy aburrido de hacer el papel de otario.
Vivir así es un calvario; te lo bato con franqueza.
Sacate de la cabeza el berretín de mandar,
Que, sino, vas a rajar con tus pilchas de la pieza.
Si caigo una "sera" en curda, suena en fija la milonga
Y me gritás meta y ponga: ¡basura, reo a la gurda!
Hasta que un día, la zurda de tu coso que bien faja
Va a empezar a dar baraja y entonces vas a ligar.
Y al rato te "viá" manyar envuelta en una mortaja.
Ni dueño soy de atorrar cuando se me da la gana,
Ni batirte: ¿qué macana hiciste para morfar?
Y si vuelvo de truquear del almacén de la esquina,
Dejás de ser gente fina y ya ni el diablo te aguanta
Y me la querés dar chanta como si fuera una gallina.
¿qué te crees, soy el gato tranquilo del mes pasado?
No m'hijita, ya he cambiado de tanto pasar mal rato.
Hoy soy todo un arrebato, mi genio no aguanta más
Y si es que estas rechiflada con mi manera de ser,
Ya mismo podes volver con tu mamá, ¡desgraciada!
Aquí mando yo, señora, y oiga lo que estoy batiendo.
Así que vaya sabiendo quien es el que bronca ahora...
Y la parda sobradora lo escuchó con mucha cancha,
Le hizo hacer la pata ancha y sin decirle, ¡atajate!
Le partió al ciruja el mate con el filo de la plancha.
Cobrate e Me Devolva o Troco
O que acontece com frequência
Entre marido e mulher,
Pra não dizer entre "namorados"
Que já não se podem ver.
Olha aqui: é necessário que a gente converse como deve ser,
Porque já tô cansado de fazer o papel de otário.
Viver assim é um calvário; te falo com sinceridade.
Tira da cabeça essa ideia de mandar,
Porque senão, você vai sair com suas roupas da peça.
Se eu caio numa "sara" de porre, toca a milonga
E você grita pra eu ir pra cima: lixo, bandido, à guarda!
Até que um dia, a esquerda do seu cara que dá um tapa
Vai começar a dar cartas e então você vai se dar mal.
E logo você vai "ver" se enrolada em um lençol.
Nem dono sou de fazer o que quero quando me dá na telha,
Nem de te bater: que besteira você fez pra comer?
E se eu voltar de trocar do armazém da esquina,
Você deixa de ser gente fina e já nem o diabo te aguenta
E quer me passar a perna como se eu fosse uma galinha.
O que você pensa, sou o gato tranquilo do mês passado?
Não, minha filha, já mudei de tanto passar aperto.
Hoje sou um verdadeiro furacão, meu gênio não aguenta mais
E se você tá pirada com meu jeito de ser,
Pode voltar pra sua mãe, sua desgracada!
Aqui quem manda sou eu, senhora, e ouça o que estou dizendo.
Então vai sabendo quem é que tá bravo agora...
E a parda metida ouviu tudo com muita calma,
Fez a pata larga e sem avisar, se prepara!
Quebrou o mate do mendigo com a lâmina da tábua.