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Pequeno Vals Vienense

Enrique Morente

Pequeño Vals Vienes

En viena hay diez muchachas
Un hombro donde solloza la muerte
Y un bosque de palomas disecadas
Hay un fragmento de la mañana

En el museo de la escarcha
Hay un salon con mil ventanas
Ay toma este vals
Este vals con la boca cerrada

Este vals
De si de muerte y de coñac
Que moja su cola en el mar

En viena hay cuatro espejos
Donde juegan tu boca y los ecos
Hay una muerte para piano
Que pinta de azul a los muchachos

Hay mendigos por los tejados
Hay frescas guirnaldas de llanto
Ay toma este vals
Este vals que se muere en mis brazo

Este vals...

Porque te quiero
En el desvan donde juegan los niños
Soñando viejas luces de hungria
Por los rumores de la tarde tibia

Viendo ovejas y lirios de nieve
Por el silencio oscuro de tu frente
Ay toma este vals
Este vals de te quiero siempre

Este vals...

En viena bailare contigo
Con un disfraz que tenga
Cabeza de rio
Mira que orillas tengo de jacintos
Dejare mi boca entre tus piernas

Mi alma en fotografias y azucenas
Y en las ondas oscuras de tu andar
Quiero amor amio amor mio dejar
Violin y sepulcro las cintas del vals
Ay toma este vals
Este vals de te quiero siempre

Este vals...

Porque te quiero...

Pequeno Vals Vienense

Em Viena há dez garotas
Um ombro onde a morte soluça
E uma floresta de pombas empalhadas
Há um fragmento da manhã

No museu da geada
Há um salão com mil janelas
Ai, pega este vals
Este vals com a boca fechada

Este vals
De morte e de conhaque
Que molha a cauda no mar

Em Viena há quatro espelhos
Onde sua boca e os ecos brincam
Há uma morte para piano
Que pinta de azul os garotos

Há mendigos nos telhados
Há frescas guirlandas de choro
Ai, pega este vals
Este vals que morre em meus braços

Este vals...

Porque eu te amo
No sótão onde as crianças brincam
Sonhando velhas luzes da Hungria
Pelos rumores da tarde morna

Vendo ovelhas e lírios de neve
Pelo silêncio escuro da sua testa
Ai, pega este vals
Este vals de eu te amar sempre

Este vals...

Em Viena vou dançar com você
Com uma fantasia que tenha
Cabeça de rio
Olha que margens tenho de jacintos
Deixarei minha boca entre suas pernas

Minha alma em fotografias e lírios
E nas ondas escuras do seu andar
Quero amor, meu amor, deixar
Violino e sepulcro as fitas do vals
Ai, pega este vals
Este vals de eu te amar sempre

Este vals...

Porque eu te amo...

Composição: Federico García Lorca / Leonard Cohen