Condena
Yo quisiera saber
Qué destino brutal
Me condena al horror
De este infierno en que estoy...
Castigao como un vil,
Pa' que sufra en mi error
El fracaso de un ansia de amor.
Condenao al dolor
De saber pa' mi mal
Que vos nunca serás,
Nunca... no para mi.
Que sos de otro... y que hablar,
Es no verte ya más,
Es perderte pa' siempre y morir.
He arrastrao llorando
La esperanza de olvidar,
Enfangando mi alma
En cien amores, sin piedad.
Sueño inútil. no he podido
No, olvidar...
Hoy como ayer
Ciego y brutal me abraso
En ansias por vos.
Y lo peor, lo bestial
De este drama sin fin
Es que vos ni sabés
De mi amor infernal...
Que me has dao tu amistad
Y él me brinda su fe,
Y ninguno sospecha mi mal...
¿quién me hirió de este amor
Que no puedo apagar?
¿quién me empuja a matar la razón
Como un vil?
¿son tus ojos quizás?
¿o es tu voz quien me ató?...
¿o en tu andar se entremece mi amor?
Condena
Eu queria saber
Que destino brutal
Me condena ao horror
Desse inferno em que estou...
Castigado como um vil,
Pra que sofra com meu erro
O fracasso de uma ânsia de amor.
Condenado à dor
De saber pra meu mal
Que você nunca será,
Nunca... não pra mim.
Que é de outro... e que falar,
É não te ver nunca mais,
É te perder pra sempre e morrer.
Eu arrastei chorando
A esperança de esquecer,
Lambuzando minha alma
Em cem amores, sem piedade.
Sonho inútil, não consegui
Não, esquecer...
Hoje como ontem
Cego e brutal me queimo
Em ânsias por você.
E o pior, o bestial
Desse drama sem fim
É que você nem sabe
Do meu amor infernal...
Que me deu sua amizade
E ele me oferece sua fé,
E nenhum suspeita do meu mal...
Quem me feriu com esse amor
Que não consigo apagar?
Quem me empurra a matar a razão
Como um vil?
São seus olhos, talvez?
Ou é sua voz quem me prendeu?...
Ou no seu andar se entrelaça meu amor?
Composição: Enrique Santos Discépolo