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Que se dane

Enrique Santos Discépolo

Qué vachaché

Piantá de aquí, no vuelvas en tu vida
Ya me tenés bien requeteamurada
No puedo más pasarla sin comida
Ni oírte así, decir tanta pavada
¿No te das cuenta que sos un engrupido?
¿Te creés que al mundo lo vas a arreglar vos?
¡Si aquí, ni Dios rescata lo perdido!
¿Qué querés vos? ¡Hacé el favor!

Lo que hace falta es empacar mucha moneda
Vender el alma, rifar el corazón
Tirar la poca decencia que te queda
Plata, mucha plata, y plata otra vez
Así es posible que morfés todos los días
Tengas amigos, casa, nombre, y lo que quieras vos
El verdadero amor se ahogó en la sopa
La panza es reina y el dinero Dios

¿Pero no ves, Otario engominado
Que la razón la tiene el de más guita?
¿Que la honradez la venden al contado
Y a la moral la dan por moneditas?
¿Que no hay ninguna verdad que se resista
Frente a dos mangos moneda nacional?
Vos resultás, -haciendo el moralista-
Un disfrazao... Sin carnaval

¡Tirate al río! ¡No embromés con tu conciencia!
Sos un secante que no hace reír
Dame puchero, guardá la decencia
¡Vento y más vento! ¡Yo quiero vivir!
¿Qué culpa tengo si has tomao la vida en serio?
Pasás de otario, morfás aire y no tenés colchón
¿Qué vachaché? Hoy ya murió el criterio!
Vale Jesús lo mismo que el ladrón

Que se dane

Saia daqui, não volte na sua vida
Você já me tem muito perto
não aguento mais ficar sem comer
Nem te ouvir assim, falando tanta bobagem
Você não percebe que é uma pessoa desajeitada?
Você acha que vai consertar o mundo?
Se aqui nem Deus resgata o que está perdido!
O que você quer? Por favor, faça-me um favor!

O que você precisa é levar muita moeda
Venda sua alma, sorteie seu coração
Jogue fora o pouco de decência que lhe resta
Prata, muito dinheiro e dinheiro novamente
Então é possível que você se transforme todos os dias
Tenha amigos, uma casa, um nome e o que quiser
O verdadeiro amor se afogou na sopa
A barriga é rainha e o dinheiro é Deus

Mas você não vê, Otario astuto
Que o melhor cara está certo?
Essa honestidade é vendida por dinheiro
E eles dão moralidade por moedas?
Que não há verdade que resista
Enfrentando duas mangas em moeda nacional?
Você acaba, -bancando o moralista
Uma fantasia... Sem carnaval

Pule no rio! Não brinque com sua consciência!
Você é um mata-borrão que não te faz rir
Me faça beicinho, mantenha a decência
Vento e mais vento! Eu quero viver!
Qual é minha culpa se você levou a vida a sério?
Você passa, engole ar e não tem colchão
Que vachachê? Hoje o critério morreu!
Jesus vale o mesmo que o ladrão

Composição: Enrique Santos Discépolo