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Jovem Bustamante (part. Ozcar Horna)

Enzo Melcar

Joven Bustamante (part. Ozcar Horna)

Esta vez fui muy temprano
Por el Óvalo Huarochirí

Últimamente
Salgo sin desayunar
Y por el tiempo
Ya no alcanzo a despedirme

Mis ojos siempre cerrados
Mi cabeza estaba, como siempre, en otro lado
Mi mamá trabajando
Mi hermana, dormida

Yo saliendo desde muy lejos
Casi para siempre
Leyendo los mismo veintitrés versos de toda la vida
Me aturdía el oído

Muerte en los túneles entramados de la Vía Expresa
Tres Lucas en el bolsillo
Tu alma es una bocina prohibida
Por las ordenanzas del municipio

Estuve recorriendo la vereda del viento
Como un hijo de nadie
Buscando la música escondida
Sin horario de descanso
A veces incluso escuchando mis propias canciones

A la mitad de todo
Surgió un proyecto
Ozcar Horna llega a Lima
Y se queda dos semanas

Aún estando lejos de Chiclayo
Esta chica reaparece
Al comienzo él no la mencionaba mucho
Pero resulta que es como el amor de su vida
Dueña de su narrativa general

A pesar de ser mi hermano
Nunca le di ningún consejo
Creí que en realidad no había necesidad
Su segunda noche en Lima
No durmió

Yo le dije, dos veces
Que deje de sufrir por ella
No estaba bien
Él le hizo como cuatro canciones
Y no dejaba de llorar
Cada vez que la miraba
Se despersonalizaba horrible
Como que se deshidrataba
Y, automáticamente
Ella lo quería cerca
Yo lo recuerdo bien en ese periodo
Se hizo famoso

Ella aún
Sigue bastante lejos la verdad
Y no sé bien como se siente él
Tiene el cabello cada vez más ordenado
La ropa cada vez más lisa
Sus lentes están bien estilizados
Y está cantando como nunca
Ella lo sigue llamando por las noches y no
No me parece
Le he dicho que deje de contestar

Hablan hasta tarde en las mañanas y en las noches
No defraudar el espíritu es una urgencia
La ciudad lame la noche como una gata famélica
El creo que está desesperado pero
Pero no se lo dice a nadie
En vez
Escribe

No escribe cualquier cosa tampoco
Escribe buenas canciones
Son buenas

Hemos formado un grupo, un colectivo
Todos venimos de lugares muy distintos
Ozcar, ya se va
Ozcar, se va

Veinte años
Lo he visto de lejos
Tiene la cara dormida
La voz bastante alta
Come, sin cuchillo
Es un buen amigo
Entienda el sarcasmo
El veinte por ciento de las veces
Alguna vez le dije algo sobre la complejidad de las almas
Que ya no recuerdo

Jovem Bustamante (part. Ozcar Horna)

Dessa vez fui bem cedo
Pelo Óvalo Huarochirí

Ultimamente
Saio sem tomar café
E pelo tempo
Já não consigo me despedir

Meus olhos sempre fechados
Minha cabeça estava, como sempre, em outro lugar
Minha mãe trabalhando
Minha irmã, dormindo

Eu saindo de bem longe
Quase para sempre
Lendo os mesmos vinte e três versos de toda a vida
Me deixava tonto

Morte nos túneis entrelaçados da Vía Expresa
Três Lucas no bolso
Sua alma é uma corneta proibida
Pelas ordens da prefeitura

Estive percorrendo a calçada do vento
Como um filho de ninguém
Procurando a música escondida
Sem horário de descanso
Às vezes até ouvindo minhas próprias canções

No meio de tudo
Surgiu um projeto
Ozcar Horna chega a Lima
E fica duas semanas

Mesmo estando longe de Chiclayo
Essa garota reaparece
No começo ele não a mencionava muito
Mas resulta que é como o amor da vida dele
Dona da sua narrativa geral

Apesar de ser meu irmão
Nunca dei nenhum conselho
Achei que na verdade não havia necessidade
Na sua segunda noite em Lima
Ele não dormiu

Eu disse a ele, duas vezes
Para parar de sofrer por ela
Não estava bem
Ele fez umas quatro canções pra ela
E não parava de chorar
Toda vez que a olhava
Ele se despersonalizava horrivelmente
Como se desidratasse
E, automaticamente
Ela o queria por perto
Eu lembro bem desse período
Ele ficou famoso

Ela ainda
Está bem longe, na verdade
E não sei bem como ele se sente
Está com o cabelo cada vez mais arrumado
A roupa cada vez mais lisa
Os óculos bem estilizados
E está cantando como nunca
Ela ainda o chama à noite e não
Não me parece
Eu disse a ele para parar de atender

Conversam até tarde nas manhãs e nas noites
Não decepcionar o espírito é uma urgência
A cidade lambe a noite como uma gata faminta
Ele acho que está desesperado, mas
Mas não diz a ninguém
Em vez disso
Escreve

Não escreve qualquer coisa também
Escreve boas canções
São boas

Formamos um grupo, um coletivo
Todos viemos de lugares muito diferentes
Ozcar, já está indo
Ozcar, está indo

Vinte anos
Eu o vi de longe
Tem a cara de quem dormiu
A voz bem alta
Come, sem faca
É um bom amigo
Entenda o sarcasmo
Vinte por cento das vezes
Alguma vez eu disse algo sobre a complexidade das almas
Que já não lembro

Composição: Enzo Melcar