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O Sertanejo Enamorado (Ver. 1)

Ernesto Nazareth

Letra

    Ai, ladrãozinho
    Desses teus lábios de coral! (Tem dó)
    Dá-me um beijinho
    Não te pode fazer mal! (Um só)

    Tu és jeitosa
    Cheiras como a rosa
    És melindrosa
    Com aura ao alazão
    Não me aborreças, ai de mim
    Aí de mim!

    Eu canto em minha viola
    Ternuras de amor
    Mas, de muito amar!
    O pranto as mágoas consola!
    Teu fero rigor
    Quer minha vida acabar!

    Teu riso cheira
    Como um galho de alecrim
    Tu és faceira!
    Queres dar cabo de mim!

    Tu és tirana
    Eu bem sei! Minha flor
    Meu coração, oh serrana
    Eu te dei
    Valha-me Deus!
    É penoso viver, ai a gemer!

    Eu sou jaçanã ferida
    Gemendo de dor, lá na solidão!
    Minh 'alma, também sentida
    Soluça plangente
    Nesta canção

    És flor de neve
    Dos sertões do meu Brasil!
    És a irerê
    Da lagoa cor de anil!

    Ouve o suspiro de amor, estes ais
    Que da alma tiro de dor! (Ora ladrão!)
    Não me atormentes assim
    Ai de mim! Ai, ai de mim!

    Eu canto a dor na viola
    E a dor me consola
    Tu podes crer!
    Morrendo, por ti sofrendo
    Vou morto, vivendo
    Vivendo a morrer, a morrer

    Na minha choça
    Teu escravo sou até!
    Tenho uma roça
    E esta casa de sapé

    Foi para dar-te que a fiz
    Aqui vivo, por amar-te
    Feliz, ai meu Deus
    Nela contigo eu serei
    Mais que um rei
    Ai, mais que um rei!

    Eu canto a dor no meu pinho
    Com tanto carinho
    Tu podes crer
    Que eu vou para
    A morte cantando
    Que a vida, penando
    Por ti dá prazer!

    Eu sinto o cheiro
    O cheirosíssimo odor!
    De um cajueiro
    Carregadinho de flor!

    Quando tu passas assim, de manhã
    Por estes matos sem fim, sem olhar
    Uma só vez para mim! Ai de mim!
    Ai, ai de mim!

    Se vais ao monte roçar ou se vais
    Água na fonte buscar valha-me Deus
    Segue-te o meu coração
    Rente ao chão!
    Ai, rente ao chão!

    Como eu sou rico
    Se me cresce o milharal! (sou rei)
    Ai! Como eu fico
    Se floresce o cafezal! (nem sei)

    Mas fico mudo sem ti!
    Chora tudo, tudo
    Tudo da aqui, ai minha flor!
    Não me apoquentes assim
    Ai de mim! Ai, ai de mim!

    Composição: Catulo da Paixão Cearense / Ernesto Nazareth. Essa informação está errada? Nos avise.

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